“O projeto traz à luz gravações raras cuidadosamente identificadas e reunidas por José da Silva, produtor e gestor de longa data de Cesária Évora e arquiteto do seu sucesso internacional”, afirma a Sony Music, em comunicado, no qual dá conta de que este faz parte das comemorações do 15.º aniversário da morte da “diva dos pés descalços”.
O disco “Reina da Morna” “é o primeiro lançamento retirado dos arquivos da [discográfica] Lusafrica desde a sua aquisição pela Sony Music França”, em 2025.
“O álbum está enraizado na morna, o género que transmitiu a voz de Cesária pelo mundo e deu expressão a temas de exílio, memória, anseio e amor. Composições de alguns dos compositores mais celebrados de Cabo Verde, incluindo B. Leza, Manuel de Novas e Eugénio Tavares, acompanham momentos de maior leveza retirados da tradição da coladera, refletindo a rica herança musical do arquipélago”, refere a discográfica.
O livreto do álbum inclui um ensaio do jornalista Francis Dordor, que acompanhou Cesária Évora ao longo da sua carreira.
Num total de dez gravações inéditas, “Sonsente” é o primeiro tema já divulgado. O alinhamento é constituído por “Amiga d'nh' Amigo”, “Sonsente”, “E Nos Cabo Verde”, “Resposta De Ganha Pouco”, “Junior”, “Brisa D’bo Sorriso”. “Nos Contradança”, “Força Di Cretcheu”, “Projecto” e “No Po Na Ton”.
Cesária Évora morreu, aos 70 anos, em 17 de dezembro de 2011, no hospital Baptista de Sousa, em São Vicente, Cabo Verde, onde se encontrava internada desde o dia anterior.
O então Presidente da República de Cabo Verde afirmou, na ocasião, que a intérprete representava "um pouco a noção de ser cabo-verdiano".
Cesária Évora ou “Cise”, como era tratada por amigos e vizinhos, nasceu a 27 de agosto de 1941 na cidade do Mindelo, na ilha cabo-verdiana de S. Vicente no seio de uma família de músicos.
Numa das muitas entrevistas que deu, certa vez, afirmou: “Tudo à minha volta era música”. O pai tocava cavaquinho, violão e violino, instrumentos que se tornaram característicos daquelas ilhas, o irmão, Lela, saxofone, e entre os amigos contava-se o emblemático compositor cabo-verdiano, B. Leza.
Desde cedo que Cesária Évora se lembrava de cantar, como referiu numa das entrevistas que deu: “Cantava ao ar livre nas praças da cidade para afastar coisas tristes”. Aos 16 anos canta nos bares da cidade e nos hotéis começando a ganhar uma legião de fãs que a aclamavam já como “rainha da morna”.
Em 1985, a convite do músico Bana, proprietário de um restaurante e uma discoteca com música ao vivo em Lisboa, Évora vem a Lisboa e grava um disco, produzido por Tito Paris, que passou despercebido à crítica, seguindo para Paris, onde é “descoberta” e daqui, como aconteceu com outros cantores, partiu para os palcos do mundo.
Em 1988 grava “La diva aux pied nus", álbum aclamado pela crítica. Nesta fase da sua carreira tem um papel fundamental, que se manteve até ao final, o empresário francês José da Silva.
Em 2004 recebeu um Grammy para o Melhor Álbum, de world music contemporânea pelo disco “Voz d’Amor”.
Em 2009, o Presidente francês Nicolas Sarkozy entrega-lhe a medalha da Legião de Honra.
Ao longo da carreira, além das inúmeras digressões e atuações em televisões, gravou 24 álbuns, um DVD, “Live in Paris”, e registou dezenas de colaborações em outros discos.
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