O engenheiro Rui Évora deixou esta quinta-feira a presidência do Sporting Clube da Praia, depois da gestão de uma década com a qual catapultou a equipa leonina para a ribalta do futebol cabo-verdiano, com a conquista de cinco Campeonatos Nacionais em oito finais consecutivas, numa época de oiro que termina com a vitória na Iª edição da Supertaça Cabo Verde.
Sob sua liderança, o Sporting da Praia dominou o futebol cabo-verdiano e, obviamente, o regional de Santiago ao coleccionar múltiplos campeonatos regionais. Participou em duas Ligas dos Clubes Campeões Africanos, tendo protagonizado a grande proeza “continental”em 2008, ao eliminar o RABAT dos Marrocos, uma potência do futebol africano, no Estádio da Várzea, com uma sensacional reviravolta de 0-3 em Rabat para 3-0 no Estádio da Várzea.
Na hora da partida, Rui Évora considera que o balanço destes dez anos à frente da equipa leonina deixa a sua equipa de trabalho com muita satisfação e orgulho pelo facto de ter contribuído para colocar o Sporting no topo do futebol cabo-verdiano.
Évora não tem dúvidas de que o “Sporting é, destacadamente, nos últimos dez anos, o maior clube em Cabo Verde”, realçando mesmo que a agremiação deu o seu contributo para o reforço, a imagem e o prestígio da sua dimensão desportiva, contribuiu para a melhoria da qualidade do futebol e do nível competitivo em Santiago Sul e em Cabo Verde, tendo igualmente dado o seu contributo à selecção nacional com a chamada de vários atletas leoninos.
Estrutura sólida
Évora regozija-se pelos feitos históricos alcanços pelo clube e que ficam registados na história do futebol cabo-verdiano, argumentando que resultou de muito trabalho, empenho e dedicação, suportado por “uma equipa directiva unida, coesa e forte, que permitiu sempre o funcionamento da direcção como um órgão colegial”.
Desta forma, considera que o “trabalho sério e dedicado” da sua equipa conseguiu superar a crise financeira internacional, já que o clube conseguiu títulos que tiveram reflexos na mobilização de vários parceiros e diferentes patrocinadores para o futebol, considerados importantíssimos nas vitórias desportivas.
A este respeito, garante que sai da direcção com a convicção de que deixa a presidência com uma estrutura sólida na qual a nova equipa directiva fará ainda um trabalho muito melhor, não só para manter o nível do clube, mas também para projectar e promover o nome do Sporting da Praia. Isto porque, avança, a nova direcção tem projectos interessantes que, certamente, vão permitir reforçar o prestígio e a dimensão do clube tanto a nível nacional como internacional.
Rui Évora destacou a forma como o Sporting conseguiu o tetra Campeonato Nacional de Cabo Verde, (2005/06, 2006/07, 2007/08 e 2008/09), feito histórico até à data jamais alcançado por outra equipa no país e o facto de o clube nunca ter perdido em casa na Liga Africana dos Clubes Campeões.
No panorama internacional, Rui Évora destaca a “aposta clara” no reforço das acções com instituições congéneres, sobretudo com o Sporting Clube de Portugal, ao mesmo tempo que conseguiu estabelecer protocolos de cooperação com o Sport Lisboa e Benfica e com alguns clubes angolanos como o Petro de Luanda e o Inter Clube e com outros clubes da Europa.
Aposta na formação
Évora clama para o aprofundamento “ da relação privilegiada com o Sporting de Portugal” com a nova equipa por forma a tirar o maior proveito do protocolo, sobretudo em termos de formação e assistência técnica, com vista a criar oportunidades de formação para a equipa técnica da congénere cabo-verdiana, entre outros protocolos.
Em relação à tão propalada escola de formação, Rui Évora reconhece esta necessidade, admitindo, entretanto, que o facto de Cabo Verde não ter um quadro competitivo instituído nesta camada condiciona sobremaneira o funcionamento de qualquer escola de futebol, mas acredita que a nova equipa directiva tem a intenção de voltar a apostar decididamente para criar as bases para que a equipa sénior leonina possa vir a ser alimentada pela sua própria escola.
De resto, reconhece que o sucesso alcançado pela selecção nacional começa a abrir portas internacionais para os jogadores cabo-verdianos que militam nos clubes cabo-verdianos, já que os jogadores passam a ser mais procurados, muito embora recomende uma melhoria em vários aspectos organizacionais a nível nacional para conferir um novo nível de competitividade ao futebol nacional.
Em relação às sucessivas saídas dos jogadores do SC da Praia para clubes profissionais estrangeiros, afiança que o clube da capital tem tido alguma contra-partida, mas “não o desejado”, mas que o mais importante é ter proporcionado aos atletas condições para evoluírem no exterior.
Nesta entrevista, Rui Évora congratula-se ainda com a edificação do Estádio Nacional, em Acha São Filipe, pela forma como o Sporting tornou-se num clube nacional e que mais adeptos ganhou nos últimos dez anos, ainda que este efeito não se traduza em termos de acréscimo de associados.
O empresário Paulo Veiga, actual vice, é o candidato único à sucessão de Rui Évora na presidência da direcção do Sporting Clube da Praia. A assembleia-geral electiva para os novos corpos gerentes para os próximos anos realiza-se esta quinta-feira na sede do clube leonino.
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