Gracelino Barbosa: O campeão cabo-verdiano que viajou sozinho para a Tailândia

PorLourdes Fortes,17 mai 2017 15:10

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Sozinho, sem apoio técnico ou médico e a depender da boa-vontade nas selecções de Portugal e Espanha, Gracelino Barbosa já soma duas medalhas de ouro no campeonato do mundo que decorre na Tailândia. Venceu nos 100 metros livres e 110 metros barreiras. Amanhã volta a entrar em prova. A Rádio Morabeza falou com ele.

 



Com estas duas vitórias sentes-te mais confiante para a terceira participação nesta competição?

Claro e acho que fizeram muito bem em colocar  esta modalidade na última prova, porque comecei no mais difícil - 100 metros livres - onde foi uma  experiência, porque nem treinei para tal, mas tive sucesso na mesma, graças a um trabalho bem feito com o meu treinador. Acho que todas as palavras que possa usar hoje são poucas para descrever a alegria que sinto neste momento.

 

E está tudo a postos  para a defesa do título na prova desta quinta-feira?

Digo sempre que quando vamos para a guerra temos que estar preparados. Apesar das condições em que vim, digo que estou preparado. Tenho que estar preparado para o tipo de batalha que tenho. Vim correr, é para isso que cá estou e é o que tenho que fazer.

 

Em que condições é que foste para a Tailândia?

Este ano foi mais complicado para mim, porque tive que procurar outros meios para sobreviver porque o patrocínio terminou. A Caixa Económica cancelou o patrocínio depois dos jogos do Rio 2016. Graças a Deus já retomaram.

 

A participação nestas competições exige uma grande logística e recursos financeiros. Conseguiste as condições necessárias?

Pergunta difícil. Não é como quero, claro. Vir sozinho, participar numa prova desta, vendo outros países com o staff completo [preparadores físicos, treinadores, corpo desportivo], sentes-te um pouco em baixo , mas  não deixo que isso me atrapalhe.

Eu  vim para o Campeonato do Mundo, tenho que estar concentrado neste ambiente, mesmo sabendo que estou sozinho, tenho que tentar estar, psicologicamente forte, porque se eu for a baixo vai tudo o resto, também. Mas claro, era melhor se tivesse comigo o meu treinador, pessoas do comité ou pessoas ligadas ao desporto. Por exemplo, em caso de lesão ou se me acontecer alguma coisa não tenho a quem recorrer.

Mas tento estar ao lado dos grandes, de selecções de países onde já participei  em competições, como Portugal e Espanha. Sempre que tenho alguma necessidade recorro a eles para alguma massagem ou outra situação que não consigo resolver sozinho. Esta é a minha luta.

 


Não estás acompanhado de um staff por falta de condições financeiras para a deslocação e permanência na Tailândia?  

Acho que esta é uma pergunta a que só o Comité pode responder. Já cá estou, agradeço por estar aqui. Se é para não vir, prefiro vir sozinho. Claro que desejava ter a minha equipa técnica comigo. 

 

Nos últimos dias reacendeu o debate sobre a atribuição do passaporte diplomático aos atletas internacionais cabo-verdianos. Esta também é uma reivindicação tua? 

Claro. É uma necessidade de todos os atletas que estão na alta competição, porque nos dá facilidade para entrar em muitos países.

Espero que assim como já se resolveu para o meu companheiro Matchu, também se resolverá para os outros atletas  que precisam.

 

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Autoria:Lourdes Fortes,17 mai 2017 15:10

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  18 mai 2017 14:45

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