O representante da comissão de gestão da Federação Cabo-verdiana de Futebol (FCF) esteve esta manhã em audiência com Jorge Carlos Fonseca a quem foi pedir que interceda junto do governo e de outras instâncias para que se consigam resolver os problemas de tesouraria que podem impedir a realização dos próximos jogos do campeonato nacional e da Selecção Nacional.
“Esperamos que o Presidente da República nos ajude a resolver os problemas que enfrentamos actualmente”, declarou Donay (Mário Avelino) no final do encontro com Jorge Carlos Fonseca.
Avaliando a receptividade do PR como “excelente”, o dirigente desportivo esclarece que o Presidente “não pode fazer nada porque não é governo” mas espera deste que possa abrir as portas para “resolvermos os problemas que são nossos e do governo”, estando optimista quanto á resolução dos referidos desafios.
Os problemas que levou ao palácio do Plateau referem-se às dificuldades financeiras que a Federação atravessa, um dilema praticamente crónico e que desta feita pode ditar a não realização de jogos importantes para a conclusão do campeonato nacional e eliminatórias para o Mundial de 2018.
Voo charter para trazer Ultramarina à Praia
O porta-voz da comissão de gestão revelou e mostrou aos jornalistas um extracto da conta da Federação onde apenas se encontra disponível o montante aproximado de cinco mil contos, claramente insuficientes para custear as despesas de deslocação das equipas quando só para alugar um voo charter que traga para Santiago a equipa do Ultramarina de São Nicolau os custos ultrapassariam os dois mil contos. Por outro lado, Cabo Verde enfrenta no dia 01 de Setembro a selecção da África do Sul e deve seguir logo no dia seguinte para este país para disputar a segunda mão (dia 05) o que se afigura, de momento, quase impossível.
“Não há neste momento dinheiro para comprar passagens”, afirma Donay que deixou vários recados.
“Jogos nacionais são importantes para o país. Não podemos transmitir essa ideia de que tudo está bem quando não está. Temos que ser transparentes para com o país. Devemos acabar com a história de falar bonito da TV. Precisamos é de gente que trabalhe”.
Indo mais longe, o candidato assumido à presidência da FCF considerou ter sido dado “um passo grande com a destituição [equipa] da Federação” até então liderada por Vitor Osório.
“O povo deve destituir sim todos os que não trabalham. Não temos nada contra ninguém, não é contra a pessoa. Temos é responsabilidade com o país e não podemos pactuar com coisas que fazem mal ao país”, vincou.
Ao mesmo tempo que nega que esteja a dizer que o dinheiro foi gasto de forma indevida e que tenha intenções de pedir uma sindicância [auditoria], o representante da comissão de gestão mostra-se expectante quanto à prestação de contas e realização de uma auditoria: “ A auditoria, as Finanças é que vão dizer se [o dinheiro] foi bem usado ou não”.
E, aproveitando a presença dos jornalistas, apelou aos cabo-verdianos que compareçam em peso para apoiar os “Tubarões Azuis” no jogo da próxima quinta-feira, frente aos “Bafana Bafana”.
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