Kitesurf: Matchú Lopes campeão da Etapa I do Mundial aspira destronar o detentor do título

PorExpresso das Ilhas, Inforpress,24 mar 2023 8:11

O salense Matchú Lopes, um dos mais consagrados kitesurfistas do planeta, vencedor da Etapa I do Mundial de 2023 em Ponta Preta, sente-se feliz pelo feito alcançado e promete lutar para recuperar o título ao australiano James Crew.

A competir em casa, diante do seu povo e nas ondas de Ponta Preta, onde aprendeu a surfar até se tornar campeão do mundo na disciplina de ondas, Maciel Lopes Almeida, conhecido nas lides desportivas por Matchú Lopes, explicou que teve de “trabalhar muito”, enfrentar um inverno “bastante intensivo e avalanches de ondas e ventos”, mas que não imaginava ganhar esta etapa do mundial.

“Ponta Preta é um lugar, onde treino e trabalho muito, mas é super difícil para mim porque velejo de uma forma diferente de Mitú Monteiro e Airton Cozzolino [ambos cabo-verdianos que ostentam título mundiais nesta modalidade], e Hendrick Lopes. Eu pratico o backside e eles front-side, mas grandes vagas de ondas e a minha perfeita orientação permitiu-me colocar toda a minha performance nesta competição”, realçou.

O hispano-cabo-verdiano, 30 anos, disse que para chegar ao título neste primeiro circuito teve de impressionar o corpo do jurado com a sua nova estratégia e habilidades, de forma a superar nomes “bastante grandes”, pessoas que “trabalham muito” para estar no topo, pelo que se sente “honrado” pelo feito alcançado na presença do pai, e amigos e do seu povo de Santa Maria.

É que nesta competição de Ponta Preta teve que aderir ao estilo front-side para se adaptar ao vento, asseverando que para além de uma “forte pressão”, teve de “perder dias de sono, enfrentar dias de diarreias e muita ansiedade”, e que ao chegar a competição teve de se focar “única e exclusivamente” no concurso, de tal ordem que ao conquistar a prova teve de gritar para serenar toda a adrenalina e emoção.

“Isto para mim não tem preço. É praticamente o maior evento que tenho conquistado na minha vida. É algo tão incrível que às vezes fico a pensar se, na verdade, aconteceu mesmo, se é mesmo verídico”, referiu o actual vice-campeão do mundo à Inforpress, para quem, o facto de estar a competir sozinho, sem grande “staff”, torna-se por vezes difícil enfrentar toda a concorrência.

Ainda assim, afirmou que a sua vasta experiência competitiva lhe permite passar muito tempo nas águas, trabalhar para suprimir a ausência de um treinador ou pelo menos de um orientador, ressalvando que nesta luta por vezes “acontecem jogos sujos”, declarando mesmo que já chegou a estar desolado e que teve de regressar à casa para recuperar a moral em Ponta Preta.

Matchú Lopes explicou que para ter este êxito passou praticamente os últimos 25 dias seguidos a treinar cinco/seis horas diários, arriscando a vida num sol abrasador, enfrentando grandes vagas de ondas e muita ventania, para além de muitas pedras nos mares, complementados com sessões de fitoterapia e alongamento, para além do suporte do seu progenitor.

Nascido e criado na ilha do Sal, onde descobriu o kitesurf na adolescência, depois de praticar o bodyboard, skimboard, surf e windsurf, nas praias de Kite e Ponta Preta, até se tornar campeão do mundo neste desporto radical, Lopes revelou que nesta competição é imprescindível inovar constantemente, dedicar-se muito para alcançar êxitos.

Relativamente ao facto de Cabo Verde ocupar os três lugares do pódio masculino na Etapa I do Mundial de Kitesurf’2023 [Mitú Monteiro foi segundo e Airton Cozzolino terceiro], Matchú Lopes é de opinião que o nível de competição estava “muito elevado”.

Recordou que na sua primeira bateria teve de vencer o também crioulo Airton Cozzolino, detentor de vários títulos mundiais e que o ítalo-cabo-verdiano eliminou Crew, actual campeão do mundo em título, sendo que pelo caminho encontrou nomes sonantes para se concentrar com precisão para vencer todos os “heats” até triunfar na prova.

A praia de Ponta Preta é até o dia 27 do corrente o palco do I circuito mundial de kitesurf, que terá continuidades em outras etapas agendadas para Rio de Janeiro (Brasil, de 01 a 09 Agosto), Sylt (Alemanha, de 22 a 27 Agosto), Dakhla (Marrocos, de 26 de Setembro a 01 Outubro) e Taiba (Brasil, de 08 a 12 Novembro).

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Autoria:Expresso das Ilhas, Inforpress,24 mar 2023 8:11

Editado porSara Almeida  em  24 mar 2023 14:13

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