Apostas sob suspeita no Mundial 2026: organismo europeu detecta anomalias em sete jogos

PorExpresso das Ilhas,24 jul 2026 14:46

Um organismo internacional especializado na monitorização da integridade das apostas desportivas identificou sete situações anómalas durante o Campeonato do Mundo de 2026, colocando em causa a conclusão da FIFA de que a competição decorreu sem indícios de manipulação de resultados.

Segundo revelou o The Athletic, com base num relatório do Group of Copenhagen, um grupo de peritos do Conselho da Europa dedicado ao combate à manipulação de competições desportivas, foram emitidos sete "yellow notices" (alertas amarelos) relativos a mercados de apostas registados durante o torneio. A informação foi igualmente noticiada pela revista FourFourTwo.

Estes alertas não significam que tenha existido viciação de resultados, mas indicam que foram detectados padrões de apostas considerados invulgares, justificando uma análise mais aprofundada pelas autoridades competentes referem ainda aqueles dois jornais.

Entre os encontros sinalizados encontra-se o empate 0-0 entre Espanha e Cabo Verde, da fase de grupos. De acordo com o The Athletic, cerca de 4,8 milhões de dólares foram apostados na hipótese de a selecção cabo-verdiana não perder frente à Espanha, um volume considerado anormal para esse mercado. O resultado acabou por confirmar essa previsão, mas, até ao momento, não existe qualquer prova de que o jogo tenha sido manipulado.

Outro dos casos destacados envolve o internacional norte-americano Folarin Balogun. Segundo o New York Post, citando documentos do Group of Copenhagen, a reversão do cartão vermelho mostrado ao avançado pela FIFA levantou dúvidas entre os especialistas em integridade, sobretudo devido ao elevado volume de apostas relacionadas com a possibilidade de o jogador disputar o encontro seguinte.

O relatório faz ainda referência a outros episódios, incluindo mercados de apostas associados à expulsão do sul-africano Themba Zwane e a uma decisão do VAR no encontro entre Espanha e Arábia Saudita, considerados suficientemente invulgares para justificar um alerta preventivo relata o FourFourTwo.

FIFA mantém posição

As conclusões do organismo europeu contrastam com a posição oficial da FIFA. Num relatório divulgado esta semana, a FIFA Integrity Task Force afirmou que monitorizou os 104 jogos do Mundial de 2026 em colaboração com empresas especializadas e autoridades internacionais, sem detectar qualquer actividade suspeita de apostas ou indícios de manipulação de resultados.

Apesar da divergência, tanto a FIFA como o Group of Copenhagen sublinham que um alerta de apostas não constitui prova de fraude. Trata-se de um mecanismo de prevenção destinado a identificar padrões estatísticos ou financeiros que possam justificar investigações adicionais.

Entretanto, o secretário-geral do Conselho da Europa, Alain Berset, citado pelo The Guardian, defendeu o reforço dos mecanismos internacionais de combate à manipulação de resultados antes do Mundial de 2030, alertando para os riscos decorrentes da crescente dimensão do mercado global das apostas desportivas.

Até ao momento, não foi anunciada qualquer investigação disciplinar relacionada com os sete alertas emitidos pelo Group of Copenhagen, nem existe confirmação oficial de que qualquer jogo do Mundial de 2026 tenha sido manipulado.

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Autoria:Expresso das Ilhas,24 jul 2026 14:46

Editado porAndre Amaral  em  24 jul 2026 16:59

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