Maio: Salina do Porto Inglês é a quarta Ramsar de Cabo Verde desde 12 de Agosto

PorExpresso das Ilhas,20 ago 2013 9:20

A salina do Porto Inglês, no Maio, integra desde 12 de Agosto a lista Ramsar (zona húmida de interesse internacional), tornando-se a quarta a ser declarada no país e isso após 2005.

 

Com 535 hectares, a mais recente zona húmida de importância internacional consiste em extensas planícies de sal, lagoa, dunas de areia, áreas rochosas semidesérticas e áreas florestais, principalmente acácias e o seu reconhecimento segue ao da Lagoa em Pedra Badejo (Santiago), da Lagoa Rabil e do Curral Velho (Boa Vista).
 
“Trata-se de um ganho para a ilha e para o país”, disse a responsável da Fundação Maio Biodiversidade, Franciska Koenen, para quem esta distinção veio a enaltecer o trabalho que a instituição que representa tem vindo a realizar ao longo dos últimos anos, tanto na preservação do sítio com grande valor histórico, como também das várias espécies, outras até endémicas, ali existentes.
 
“Recebemos com muito agrado esta notícia e esperamos que os cabo-verdianos e, principalmente, a comunidade local passe a dar mais importância e tenha maior respeito pelo sítio”, afiançou.
 
Segundo Franciska Koenen, a partir deste momento, a salina do Porto Inglês passa a ser reconhecida internacionalmente, o que “exige” uma protecção às zonas circundantes, de modo a evitar que seja contaminada com lixo.
 
Com esta distinção, lembrou, pessoas de qualquer parte do mundo passarão a conhecer o sítio e isso poderá despertar o interesse dos turistas que visitam a ilha.
 
Por isso, defendeu que é urgente a criação de algumas regras para uma gestão mais harmoniosa e responsável da salina, tendo em conta que ali habitam aves muito frágeis que podem estar em perigo com a acção do homem.
 
“Já temos quase pronto um roteiro para as moto-quatro, que já conheçam a aumentar na ilha, porque este tipo de veículo pode pôr em perigo não só as aves que vivem na salina como também o ninho das tartarugas nas praias”, informou.
 
A salina do Porto Inglês, de acordo com a presidente da Fundação Maio Biodiversidade, abriga um número importante de aves limícolas e estepárias, como cotovia (alaemon alaudipes), pastor (eremopterix nigriceps) e calhandra (ammomanes cinturus).
 
Neste quarto Ramsar cabo-verdiano, adiantou, podem ser encontrados o pirlito sanderlingo (calidris alba)  e o fuselo (limosa lapónica), duas espécies que considerou “muito importantes para manter a diversidade biológica da eco-região da Macaronésia”.
 
O sítio também alberga 10 a 13 por cento da população mundial da corredeira (cursorius cursor), assim como a ameaçada tartaruga cabeçuda caretta-caretta, sem esquecer a maior população de borellho-de-coleira (charadrius alexandrinus) do oceano atlântico, 150 a 300 indivíduos, representando 50 por cento da população nacional.
 
Franciska Koenen adiantou ainda que a Fundação Maio Biodiversidade está a desenvolver um projecto para apoiar as mulheres da Cooperativa de Sal Iodado da ilha do Maio, visto que o local é também utilizado para a extracção do sal, de modo a regular as acções humanas neste lugar que já faz parte da lista Ramsar.
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Autoria:Expresso das Ilhas,20 ago 2013 9:20

Editado porDulcina Mendes  em  20 ago 2013 9:47

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