A TACV anunciou ontem a venda dos dois ATR72 que tinha na sua frota. No entanto, segundo o comunicado de imprensa assinado pelo PCA da empresa, os aviões vão manter-se ao serviço da companhia uma vez que foram alugados ao comprador.
A TACV anunciou ontem o fim, “com sucesso”, do processo de venda e ‘leaseback’ dos dois ATR 72, o que ajuda a reduzir, “de imediato, os custos financeiros e de posse” e permite encaixe financeiro para liquidar dívidas.
Em comunicado de imprensa assinado pelo presidente do conselho de administração da empresa, João Pereira Silva, a transportadora aérea nacional informa que o referido processo foi concluído na última sexta-feira, 31 de Outubro.
A reestruturação organizacional e financeira da TACV começou a ser preparada em meados de 2012 e passou a ser posta em prática nos finais de 2013, lê-se no documento, que realça como primeira acção de fundo realizada a devolução de um dos boeings da companhia “que gerou poupanças imediatas no valor de, aproximadamente, 400 mil dólares, o equivalente a 34 mil contos mensais”.
Em Agosto, deu-se a separação dos serviços de assistência em escala (handling), que originou o surgimento de uma nova empresa, a CV Handling, recorda o conselho de administração.
Segundo João Pereira Silva, “com a conclusão da venda dos ATR 72, a TACV realiza um encaixe financeiro destinado à liquidação de dívidas referentes às prestações há muito vencidas do empréstimo contraído aquando da compra dos referidos aparelhos, bem como da totalidade das prestações vincendas dos mesmos”.
A venda e o ‘leaseback’ dos dois ATR 72, na sua visão, “vão ter um impacto significativo na vida da empresa que busca a sustentabilidade a par de uma melhor adequação ao mercado e à conjuntura económica”.
Para o conselho de administração, os resultados de 2013 demonstram que a transportadora aérea está a ter “uma forte recuperação financeira, ao conseguir reduzir em mais de 50% os resultados negativos de 2012”.
João Pereira Silva garantiu, por outro lado, que, nos primeiros seis meses deste ano, dados provisórios disponíveis permitem perspectivar que, no final de 2014, os resultados do exercício serão positivos.
Contudo, “eles não derivam de um aumento substancial das receitas operacionais, mas de entradas extraordinárias e de adequados esforços de redução de despesas”, explicou, ao defender que esses resultados constituem, por isso, a base sobre a qual deverá assentar a expansão das actividades da TACV previstas para ter início em 2015.
Privatizações
A ministra das Infraestruturas e Economia Marítima, Sara Lopes, disse à Lusa que a transportadora aérea de bandeira cabo-verdiana TACV e a empresa de gestão portuária ENAPOR “deverão ser privatizadas até meados de 2015”.
“O Governo já criou uma unidade de privatizações no Ministério das Finanças e já está a trabalhar e a preparar os dossiers. Deverão ser privatizadas até meados de 2015. A ENAPOR está muito mais avançada e estamos num processo negocial que deve ser concluído o mais rapidamente quanto possível num processo de eventual ajuste directo”, disse Sara Lopes.
A governante falava à Lusa no final do Ciclo de Tertúlias ‘Cabo Verde em Debate’, intitulada “Investimento Público e Infraestruturação de Cabo Verde: Implicância e Aplicabilidade”, organizado pela comunidade cabo-verdiana residente em Portugal.
O plano de privatização da TACV, uma das poucas companhias africanas que voa para os Estados Unidos e para diversos destinos da Europa, foi estabelecido em 2002, mas o Governo considera que “não foi possível ainda conseguir a privatização da empresa, tendo em conta a sua situação económica e financeira”.
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