CV TradeInvest: À conquista do eixo Europa-América-África e de olho nas economias emergentes

PorChissana Magalhaes,27 ago 2016 6:00

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O ministro das Finanças deu ontem posse ao novo Conselho de Administração da Cabo Verde TradeInvest. Olavo Correia aproveitou a ocasião para lançar um apelo contra a corrupção no país.

 

Ana Lima Barber, Nuno Levy e Luís Aguiar assumiram ontem os respectivos cargos de presidente do Conselho de Administração (CA) e administradores executivos da remodelada agência de investimentos, com a missão de ajudar a cumprir com as metas do governo de fazer chegar Cabo Verde ao top 5 de África e top 50 do mundo a nível de ambiente de negócios.

A escolhida para liderar a CV TradeInvest é licenciada em Direito e pós-graduada em Gestão de Empresas, tendo no seu currículo experiências como um estágio nas Nações Unidas, assessoria para a Assembleia Geral Academia Diplomática Internacional e a representação de algumas empresas europeias e africanas em novos investimentos no mercado africano, europeu e no Médio Oriente.

A apoiá-la de perto estarão o engenheiro informático Nuno Levy, pós-graduado em Multimédia em Educação (Elearning), até recentemente vice-presidente da Câmara de Comércio Indústria e Serviços de Sotavento – e Luís Aguiar, mestre em Finanças, consultor e auditor sénior internacional com a Pricewaterhousecoopers.

Na sua intervenção, a nova PCA reconheceu que o trabalho que a sua equipa tem pela frente não será fácil, mas predispõem-se a “trabalhar estreitamente com os parceiros públicos e privados”, dentre os quais destaca os municípios como “parceiros estratégicos para a promoção da nova imagem de Cabo Verde no exterior”.

Lima Barber identifica o financiamento da economia como o principal desafio do país. “Para vencer é preciso produzir, exportar, melhorar significativamente os resultados do turismo, atrair investimento exterior, inserir o país no eixo Europa-América-África sem esquecer as economias emergentes”, elencou a gestora.

Já o ministro da tutela, que presidiu ao acto de empossamento do CA, não deixou de destacar o papel desempenhado pelo conselho de administração cessante, a quem agradeceu e reconheceu ter deixado “obra feita e marcos relevantes em relação à construção e edificação desta instituição importante”.

 

Historial

 

“Este país só será construído através de estafeta: cada um tem de entregar ao outro aquilo que recebeu acrescentado de algo mais. Penso que foi o que fizeram”, ressaltou Olavo Correia.

Desde a sua criação, em Agosto de 1990 (pelo Decreto Lei nº 69/9, alterado em 21 de Janeiro de 1992), com a denominação de Promex - centro de Promoção Turística, do Investimento e das Exportações, esta agência governamental voltada sobretudo para a captação de investimentos externos e promoção do país enquanto destino turístico já passou por várias reestruturações e correspondentes mudanças na equipa de liderança.

Em Setembro de 2004, com a resolução nº 21/2004, à Promex seria integrado o IADE- Instituto de Apoio ao Desenvolvimento Empresarial - dando esta união origem à CI - Cabo Verde Investimentos, que sobreviveria com esta denominação até ao inicio deste ano de 2016. Em Julho passado, por decreto do Conselho de Ministros do governo eleito em Março, nasce a Cabo Verde TradeInvest para substituir a CI.

Júlio Morais, José Duarte, Alexandre Fontes, Victor Fidalgo, Paulo Monteiro Júnior, Georgina Melo, Pedro Barros, José Luis Sá Nogueira, Humberto Cardoso e José Luis Lopes, foram os nomes que passaram pela presidência das instituições que antecederam a CV TradeInvest na missão de promover o país enquanto centro competitivo de negócios. Uma missão nem sempre pacífica já que alguns deles incompatibilizaram-se com diferentes ministros que foram assumindo a tutela da agência.

Ana Lima Barber é a segunda mulher no cargo de PCA e, para já, conta com plena confiança de Olavo Correia. Este, por sua vez, garantiu que o executivo de Ulisses Correia e Silva também acredita nesta nova equipa, que adjectivou de “competente, jovem, diversificada e comprometida com futuro do país”, lembrando-lhes, no entanto, que o cenário internacional mostra-se cada vez mais difícil, exigente e competitivo, com os países estrangeiros cada vez menos dispostos a canalizarem as suas poupanças e recursos a países terceiros.

“Cabo Verde não tem outra alternativa que não crescer, e para assim acontecer não podemos continuar a usar o mesmo modelo, de um país ancorado na ajuda externa ao desenvolvimento”, lembrou, recomendando um novo modelo económico estribado no conhecimento e na inovação.

Olavo Correia referiu o imperativo da Cabo Verde TradeInvest ser uma instituição de excelência, “porque está a competir com um conjunto de instituições a nível mundial que estão a procurar fazer a mesma coisa. Não podemos pensar que somos os melhores, temos que trabalhar e ser exigentes com os colaboradores para estarmos a altura da competição global que é feroz”.

 

Corrupção

 

O ministro das Finanças aproveitou a sua intervenção no acto de empossamento do novo CA para lançar um “veemente apelo” aos funcionários públicos, e a todos, para o combate à corrupção.

“A corrupção é algo que tem de ser combatido. E não é um problema somente da Administração Pública. Temos que mudar esta atitude a todos os níveis, sendo fundamental ter instituições transparentes. Não se pode permitir que um funcionário danifique a imagem de toda uma instituição”, referiu o ministro, sublinhando que não acredita que as instituições cabo-verdianas sejam, por si, corruptas.

“Mas os actos isolados que podem indiciar corrupção devem ser combatidos para que evitemos que esta imagem possa perpassar as instituições públicas com efeitos negativos para a imagem do país”, avisou.

De lembrar que em 2014 uma funcionária do Ministério das Finanças (agora tutelado por Olavo Correia) foi julgada e condenada por crime de fraude no sistema de gestão de pagamentos do Estado que terá lesado Cabo Verde em milhares de contos. O crime teria sido praticado em 2010 e descoberto em 2013, tendo na altura a polícia também investigado vários suspeitos de crimes de peculato e lavagem de capitais.

 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 769 de 24 de Agosto de 2016

 

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Autoria:Chissana Magalhaes,27 ago 2016 6:00

Editado porChissana Magalhaes  em  29 ago 2016 10:08

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