"A classificação média dos países africanos atingiu o seu nível mais alto desde o final de 2020, reflectindo as recentes reformas e a melhoria do crescimento, embora o impacto total nas métricas de crédito demore algum tempo a materializar-se", dizem os analistas no relatório com o título 'Estabilização do Momento Positivo' sobre as perspetivas para 2026.
Citado no relatório no relatório sobre os ratings dos países africanos, onde se incluem Angola, Cabo Verde e Moçambique (com ‘rating’) e Guiné-Bissau, Guiné Equatorial e São Tomé e Príncipe (sem ‘rating’), o analista Benjamin Young aponta que "o crescimento estável, a inflação mais baixa e as perspectivas de preços mais elevados das matérias-primas (excluindo o petróleo) e um dólar mais fraco deverão reduzir os custos de financiamento e apoiar a continuação da implementação das reformas".
No entanto, contrapõe, "a dívida estruturalmente elevada e as bases de receitas baixas e concentradas continuarão a representar riscos importantes e, com os reembolsos da dívida externa dos governos a excederem provavelmente os 90 mil milhões de dólares [76,2 mil milhões de euros] este ano, as vulnerabilidades externas também aumentaram" e continuam a ser um risco.
"Os persistentes défices orçamentais contribuíram significativamente para a deterioração do crédito observada nas últimas duas décadas, o que aumentou as necessidades de endividamento e financiamento de muitos países africanos, geralmente a custos elevados", aponta-se ainda no relatório.
A descida dos custos de financiamento nos mercados internacionais, devido a um dólar mais acessível, deve ajudar muitas economias este ano, diz a S&P.
Ainda assim, refere que "a redução do endividamento e o aumento sustentável das atividades geradoras de receitas levarão tempo e continuarão vulneráveis às pressões decorrentes dos ciclos políticos internos e da incerteza externa".
O rácio da dívida pública face ao PIB deverá manter-se estável em 2026 face ao ano passado, em cerca de 61% do PIB, dizem ainda os analistas no relatório.
Os três países lusófonos analisados têm uma classificação de crédito abaixo da recomendação de investimento, ou seja, 'lixo', como é geralmente conhecido; Cabo Verde tem um rating de B, Angola está no nível B-, e Moçambique está ainda mais abaixo, com CCC+.
Entre os 27 países analisados pela S&P, apenas quatro têm uma recomendação de investimento: Marrocos, Botsuana, Maurícias e Santa Helena.
homepage








