Seychelles lança oficialmente o projeto RESIslands, resiliência climática para os Estados insulares africanos

PorJorge Montezinho,30 ago 2026 6:58

Cabo Verde, Comores, Guiné Equatorial, Guiné-Bissau, Madagascar, Maurícias, São Tomé e Príncipe, Seychelles e Tanzânia (Zanzibar) são os Estados-membros da Comissão Africana das Mudanças Climáticas (AISCC), países que estão em regiões altamente vulneráveis aos impactos das mudanças climáticas. Estas nações enfrentam uma série de desafios: elevação do nível do mar, aumento da intensidade das tempestades, erosão costeira, acidificação dos oceanos, desertificação e escassez de água, ciclones, inundações repentinas e alterações nos padrões de precipitação, entre outros. Impactos que têm graves consequências para as economias, os ecossistemas e o bem-estar geral.

As Seychelles já lançaram o Projeto RESIslands, uma iniciativa de resiliência climática que abrange nove estados insulares africanos. O RESIslands é um projeto de preparação financiado pelo Fundo Verde para o Clima (GCF) e implementado pela Comissão Económica das Nações Unidas para a África (ECA), em parceria com a Comissão Africana do Clima dos Estados Insulares (AISCC). Tem como objectivos fortalecer as estruturas institucionais, aprimorar os sistemas de alerta precoce, padronizar os dados de risco e apoiar o desenvolvimento de mecanismos de financiamento climático em nove estados insulares africanos.

Apesar de o padrão de vida em Cabo Verde ser melhor do que na maioria das nações vulneráveis às mudanças climáticas – o país alcançou sucessos nas áreas da educação, da saúde, da expectativa de vida e da estabilidade democrática e uma sociedade reconhecida pela resiliência, rede migratória, cultura e transição política – o arquipélago continua a ser muito vulnerável devido à dependência de sistemas externos para alimentação, combustível, turismo, água e finanças públicas.

O Índice de Risco da Dívida Climática 2025 da Change Initiative mostra isso mesmo. Países como Cabo Verde contribuem pouco para o problema das alterações climáticas, mas enfrentam impactos climáticos, custos de adaptação e pressão da dívida. Como a maior parte do financiamento climático é feita através de empréstimos, os países vulneráveis não têm outra opção senão contrair empréstimos para sobreviver. Ou seja, as vítimas da crise climática têm ainda que arcar com o peso tanto dos desastres como do pagamento da dívida.

Aliás, no ano passado, esta vulnerabilidade tornou-se ainda mais evidente. Em Agosto, São Vicente foi severamente afectada pela tempestade Erin e, em Novembro, o interior de Santiago foi atingido por chuvas torrenciais que causaram sérios danos aos municípios do norte da ilha.

Projecto RESIslands

As Seychelles presidem o AISCC, órgão que apresentou o Projeto RESIslands ao Fundo Verde para o Clima, colocando o país na vanguarda tanto da implementação do projeto quanto do esforço regional mais amplo para levantar as prioridades dos estados insulares africanos no âmbito do discurso continental sobre clima e risco de desastres.

No discurso de lançamento, a Ministra do Meio Ambiente, Clima, Energia e Recursos Naturais, Marie-May Jeremie, destacou a urgência do projecto para as Seychelles e para os países vizinhos. “As mudanças climáticas não são um debate político distante para nós, são a nossa realidade diária”, afirmou. “Através do RESIslands, não estamos simplesmente a receber apoio; estamos a assumir a responsabilidade pela nossa resiliência.”

A Ministra sublinhou ainda que, embora os Estados insulares africanos estejam geograficamente separados do continente, as suas necessidades continuam a ser centrais na agenda mais ampla de África em matéria de clima e riscos de catástrofes, e que as Seychelles, enquanto Presidente do AISCC, continuarão a defender esta posição nos fóruns continentais.

O lançamento nas Seychelles é o segundo de nove lançamentos nacionais planeados no âmbito do Projeto RESIslands, depois da Guiné Equatorial, com o próximo lançamento nacional a ser realizado em breve.

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Resultados esperados do RESIslands

Coerência institucional: alinhamento das políticas nacionais e coordenação entre a gestão de riscos de desastres e os quadros de adaptação às mudanças climáticas.

Informações de risco aprimoradas: Melhorar a avaliação de riscos multirriscos, a recolha de dados marítimos e a partilha de informações entre agências, inclusive através do Sistema de Gestão de Informações sobre Riscos de Desastres (DRIMS), actualmente em desenvolvimento.

Projetos prontos para financiamento: desenvolvimento de estratégias e projectos para desbloquear o financiamento climático internacional.

Capacidade sustentada: Fortalecimento do conhecimento técnico através de parcerias com a Universidade de Twente, nos Países Baixos, e especialistas da CEA. 

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1291 de 26 de Agosto de 2026.

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Autoria:Jorge Montezinho,30 ago 2026 6:58

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  31 ago 2026 7:54

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