Câmaras de Comércio e de Turismo vêem oportunidades no regresso da TAAG, mas pedem estratégia de longo prazo

PorNuno Andrade Ferreira*,5 set 2026 7:34

Dirigentes empresariais apontam oportunidades, mas condicionam impacto da rota à combinação de vários factores, incluindo continuidade e preços.

O regresso da TAAG – Linhas Aéreas de Angola a Cabo Verde é recebido pelas câmaras de Comércio de Barlavento e de Turismo como uma oportunidade para reforçar as ligações com Angola, estimular negócios e atrair visitantes de novos mercados. Os responsáveis das duas instituições alertam, contudo, que os resultados dependerão da conjugação de diferentes variáveis.

A companhia aérea estatal angolana anunciou que retomará as ligações entre Luanda e Praia a 31 de Outubro, cerca de uma década depois da suspensão dos voos. A nova rota encurtará consideravelmente o tempo de viagem actual entre as duas capitais e, porque inclui uma escala em Dakar, criará mais uma possibilidade de ligação ao Senegal. Até ao momento, a informação disponível não indica os horários, o modelo de aeronave, os preços ou a data de abertura das vendas.

Para o presidente da Câmara de Comércio de Barlavento (CCB), Jorge Maurício, o voo poderá facilitar as trocas entre Cabo Verde e Angola.

“Há claramente um incentivo às trocas comerciais. O comércio bilateral, historicamente abaixo do seu potencial, devido à inexistência de rotas directas, ganha uma via previsível para o transporte, tanto de passageiros como de carga. A estabilidade operacional e a competitividade dos preços dos bilhetes, em relação às alternativas actuais, poderão trazer, de facto, mais oportunidades”, acredita.

Na avaliação do presidente da CCB, a viabilidade da rota dependerá essencialmente de regularidade e tarifas, mas também da integração com outros destinos. A título de exemplo, Jorge Maurício destaca que uma eventual parceria comercial entre a TAAG e a Cabo Verde Airlines, em regime de code share, poderá contribuir para a sustentabilidade da operação, com ganhos para Cabo Verde.

“Historicamente, as empresas que têm as chamadas rotas políticas, do ponto de vista internacional, acabam por não garantir sustentabilidade a prazo, levando-as até a descontinuar determinadas rotas, como já aconteceu no passado. Por isso é que deve ser feito numa perspectiva diferente, numa perspectiva mais económica, mais financeira, para garantir sustentabilidade”, analisa.

Se tudo correr bem, o país tem muito a ganhar, antecipa.

“Cabo Verde é um país aberto ao mundo, com facilidades em termos de investimento e de circulação de capitais, estabilidade macroeconómica e estabilidade social, o que favorece a consolidação de investimentos e negócios”, nota.

O presidente da Câmara de Turismo de Cabo Verde, Jorge Spencer Lima, identifica como primeiros potenciais beneficiários da nova rota a comunidade cabo-verdiana residente em Angola e os angolanos interessados em visitar o arquipélago.

“O primeiro beneficiário é a nossa comunidade em Angola, que é uma comunidade já antiga, com muitos cabo-verdianos, sempre com a vontade de visitar Cabo Verde e estar em Cabo Verde. O segundo aspecto, exactamente, diz respeito aos próprios angolanos. Os angolanos têm uma relação muito estreita e boa com Cabo Verde, gostam de Cabo Verde e gostam de visitar Cabo Verde. A abertura deste voo também vai abrir a possibilidade de termos turistas angolanos em Cabo Verde”, sintetiza.

Jorge Spencer Lima entende que o regresso da TAAG poderá ajudar a trazer visitantes fora dos mercados de origem habituais. A Câmara de Turismo, comenta o líder associativo, tem procurado reforçar a aproximação aos países africanos. Compreende-se por isso que defenda que a retoma da TAAG seja acompanhada por acções de promoção de Cabo Verde em Angola.

“A nossa parte é fazer a propaganda, a publicidade necessária de Cabo Verde em Luanda, dos locais, das ilhas, para atrair os angolanos para virem passar férias em Cabo Verde. Esse é o papel que temos de fazer. Mostrar Cabo Verde aos angolanos para que possam vir mais vezes a Cabo Verde”, defende.

Spencer Lima considera igualmente que a rota poderá facilitar contactos com investidores angolanos e aumentar investimentos que já existem.

“A partir dessa relação estável, este voo vai permitir, de facto, que os empresários angolanos venham a Cabo Verde mais vezes, conheçam melhor o país, conheçam melhores oportunidades de negócio e possam fazer investimentos na área de Cabo Verde, além do que já está sendo feito”, ambiciona.

A companhia angolana enquadra a rota Luanda-Dakar-Praia na sua estratégia de expansão regional e de reforço de ligações entre mercados africanos. O início da operação coincide com o arranque da temporada de Inverno 2026/2027 da aviação comercial.

*com Lourdes Fortes

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1292 de 02 de Setembro de 2026.

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Autoria:Nuno Andrade Ferreira*,5 set 2026 7:34

Editado pormaria Fortes  em  5 set 2026 8:28

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