Os dissidentes que apanharam o lixo da Nokia para fazer um telefone

PorExpresso das Ilhas,8 mar 2014 0:00

O Jolla tem um sistema operativo baseado na plataforma que a fabricante finlandesa tinha abandonado.

 

Marc Dillon não é o típico representante de uma empresa de telemóveis, descreve o jornalista do Público enviado a barcelona. Tem grandes brincos, piercings e um estilo que faz pensar mais num músico prestes a tocar em palco do que em alguém num stand do World Mobile Congress, na cidade espanhola.

Trabalhou na Nokia até 2012, quando a empresa já estava em declínio e tinha apostado no Windows Phone para atacar o mercado de smartphones. Convicto de que a multinacional não estava no caminho certo, resolveu pegar no Meego, o sistema operativo que a Nokia tinha deitado fora, e juntou-se a outros ex-funcionários da empresa para criar um novo telefone.

O resultado é o Jolla. Dillon (que já foi presidente executivo e hoje lidera o desenvolvimento de software) não quer revelar números de vendas do aparelho, que custa 399 euros. Através de parcerias, a comercialização é feita nos países da União Europeia e ainda na Noruega e na Suíça. Os mercados onde vende mais são a Finlândia, a Alemanha e o Reino Unido.

O aparelho tem um sistema operativo próprio, chamado Sailfish OS, que parte do Meego. Dillon considera ser necessária uma alternativa “aos dois ecossistemas dominantes”: o iOS, da Apple, e o Android, desenvolvido pelo

Google e usado por muitos fabricantes. O Jolla parece assentar num ideal de independência das grandes empresas que motiva muitos projectos de plataformas alternativas. O iOS e o Android “não são transparentes e não deixam que o utilizador possa controlar os seus dados”, critica.

Para além de equipar o Jolla, o objectivo é que o Sailfish possa ser facilmente instalado pelos próprios utilizadores em telemóveis Android que já tenham. A meta é começar a disponibilizar esta possibilidade no segundo semestre do ano, para um número reduzido de aparelhos Um das inovações do Jolla é a tampa traseira, que interage com o sistema operativo.

Podem ser criadas tampas que personalizem e acrescentem funcionalidades e aplicações ao telemóvel. Dillon mostra uma com uma imagem do jogo Angry Birds e uma outra de uma marca de roupa finlandesa. Basta que sejam encaixadas na parte principal do aparelho para que sejam instalados conteúdos sobre os produtos daquelas empresas.

A empresa por trás do Jolla tem 85 funcionários em vários pontos do mundo, a que se somam mais algumas dezenas de contratados. O investimento é privado, sem capital de risco, diz Dillon, escusando-se a adiantar o montante investido.

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Autoria:Expresso das Ilhas,8 mar 2014 0:00

Editado porExpresso das Ilhas  em  31 dez 1969 23:00

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