“Um pequeno passo para o homem, um passo de gigante para a Humanidade”. Estas palavras, ainda hoje imortais, eram ouvidas há 45 anos em todo o mundo, ditas por Neil Armstrong. Pela primeira vez, seres humanos pisavam solo lunar, depois de anos de tentativas e batalhas silenciosas entre a União Soviética e os Estados Unidos pelo controlo do espaço.
Neil Armstrong e Buzz Aldrin foram os homens que entraram para a História. Michael Collins, que também fazia parte da missão, não chegou a ir à Lua, ficando a orbitar à sua volta, enquanto esperava que Armstrong e Aldrin recolhessem dados e objectos da superfície lunar. Ao todo, só puderam passear durante duas horas e trinta e um minutos pela Lua – ou seja, uma pequena parte da missão, que durou 8 dias no total.
Só foram duas horas, mas foram horas intensas. Depois de descer da cápsula espacial Eagle e proferir a frase lapidar, a primeira coisa que Neil Armstrong, o primeiro homem a pisar o satélite da Terra, fez foi instalar uma câmara de televisão, para que os muitos milhões de pessoas que acompanhavam a missão da Apollo 11 em directo não perdessem nada. Depois, ele e Aldrin – que entretanto aproveitou para tirar uma fotografia à sua pegada no solo lunar – descerraram uma placa comemorativa do acontecimento, hastearam uma bandeira americana, fizeram testes às partículas nucleares ali existentes, telefonaram ao presidente Nixon, mediram a distância entre a Terra e a Lua, calcularam a luz solar que chega ao satélite, mediram a actividade sísmica do local e recolheram 21,7 kg de amostras de solo lunar.
Duas horas e trinta e um minutos que mudaram o curso da História, mas o caminho percorrido até chegar aí foi muito mais vasto. A Apollo 11 foi a quinta missão tripulada do Programa Apollo e a primeira a realizar uma alunagem, no dia 20 de Julho de 1969 e cumpriu assim a meta proposta pelo Presidente John F. Kennedy a 25 de Maio de 1961, quando, perante o Congresso dos Estados Unidos, afirmou que: “eu acredito que esta nação deve comprometer-se em alcançar a meta, antes do final desta década, de pousar um homem na Lua e trazê-lo de volta à Terra em segurança”.
Composta pelo módulo de comando Columbia, o módulo lunar Eagle e o módulo de serviço, a Apollo 11, com seus três tripulantes a bordo, foi lançada de Cabo Canaveral, na Flórida, no dia 16 de Julho, num foguetão Saturno V, sob o olhar de centenas de milhares de espectadores que enchiam estradas, praias e campos à volta do Centro Espacial Kennedy e de milhões de espectadores pela televisão em todo o mundo.
A ÁGUIA POUSOU
Neil Armstrong, Edwin “Buzz” Aldrin e Michael Collins, os tripulantes da nave Columbia e membros da missão Apollo 11, tiveram um lançamento perfeito da Terra, uma viagem longa e calma para a Lua e uma rotineira ignição dos motores para os colocar na órbita lunar. O destino era o Mar da Tranquilidade, uma grande área plana, formada de lava basáltica solidificada, na linha equatorial da face brilhante do satélite. Depois da separação dos módulos da Apollo, enquanto Michael Collins ficava no Módulo de Comando Columbia, numa órbita cem quilómetros acima do satélite, Armstrong e Aldrin começaram a descida a bordo do Módulo Lunar Eagle. Não havia assentos, Armstrong e Aldrin voavam em pé, fixados por cordas elásticas presas no chão. Com a ajuda de Houston, verificaram o estado do Módulo. Se, como dizia Eugene Cernan - um ex-piloto da marinha americana que se tornou astronauta e comandou a última das missões a pousar na Lua, a Apollo 17 - pousar o Módulo Lunar era mais fácil que pousar um jacto num porta-aviões durante a noite, uma das muitas vantagens era o facto de o Eagle estar equipado com o que era, na época, um sofisticado computador de bordo, que fez a maior parte do trabalho de rotina do voo de descida da nave.
Tirando os momentos finais da aproximação do solo, voar na trajectória correta dependia apenas da análise dos dados de navegação nos sistemas de radar e de inércia e de delicados ajustes no impulso e na acção dos motores do Módulo Lunar. No entanto, por várias vezes o computador soou os alarmes. A trajectória da nave parecia correcta, mas a mensagem de alerta “1202” criou alguns segundos de tensão entre os tripulantes. Os alarmes contínuos e as falhas nas comunicações entre o Eagle e Houston eram irritantes, mas em todos os outros aspectos o computador do ML e o sistema de navegação tiveram um desempenho brilhante. Oito minutos e trinta segundos depois da ignição do motor de descida, Armstrong teve sua primeira visão em close-up do lugar de aterragem.
Como estava programado, se Armstrong não gostasse do local escolhido pelo computador, poderia movimentar o “joy-stick” manual de controlo. De acordo com o plano, Aldrin dava a Armstrong o ângulo de descida de poucos em poucos segundos, no entanto, a capacidade de direcção computadorizada no tempo da Apollo 11 não era tão perfeita como seria nas próximas missões e o computador estava a colocar o Eagle dentro de um campo de rochas, a nordeste de uma cratera do tamanho de um campo de futebol. Não seria problema para Armstrong pousar num campo de rochas. Não era essencial que o Módulo assentasse perfeitamente erecto. Uma inclinação de mais de quinze graus não causaria problema ao lançamento de volta à órbita após a missão. No entanto, se ele batesse com o motor ou uma das patas do trem de aterragem numa rocha grande, havia a hipótese real do Módulo Lunar sofrer um dano estrutural. Armstrong decidiu seguir a velha máxima dos pilotos: “Em caso de dúvida, aterre longe”. Para o fazer, teria que sobrevoar a cratera e pousar a oeste. A uma altitude de cerca de 150 m do solo, Neil Armstrong assumiu totalmente o controle manual da nave para a descida final. Enquanto Armstrong conduzia o Módulo Lunar à procura de um bom local de aterragem, Aldrin analisava os dados do computador dando a altitude, a percentagem de descida e a velocidade.
Finalmente, Neil Armstrong encontrou o local que considerou o melhor, começou a diminuir a velocidade e deixou o Módulo Lunar descer suavemente até à superfície. Oito segundos depois viram a luz de contacto. As sondas de três metros que pendiam do trem de aterragem tinham tocado a Lua. Mais um segundo e estavam na Lua. Armstrong disse então a frase imortal: “Houston, Tranquility Base here. The Eagle has landed”. (“Houston, daqui Base da Tranquilidade. A Águia pousou”). A mensagem era ouvida a 384 mil quilómetros dali, no planeta Terra.
O HOMEM NA LUA
Em todas as direcções que olhassem, podiam ver o solo plano de uma planície. O horizonte circular era quebrado pelas bordas das crateras. A meia distância, Armstrong e Aldrin podiam ver pedras arredondadas e cumes, alguns deles a variar entre os 7 e os 60 metros de altura. De acordo com o plano de voo, Armstrong e Aldrin tinham instruções para fazerem um descanso de cinco horas antes de sairem da nave. Porém, a excitação do momento fez com que solicitassem a Houston permissão para se preparem para a saída, uma AEV - período de actividade extra-veicular, no jargão da NASA. A preparação para uma AEV demorava cerca de duas horas, mas como essa seria a mais curta de todas as AEV das missões Apollo, ninguém se mostrou preocupado quando os preparativos duraram três horas e meia. Finalmente, cerca de seis horas e meia após a aterragem, abriram a escotilha do Módulo Lunar e Armstrong rastejou em direcção a saída; primeiro os pés, depois as mãos e os joelhos. Instantes depois pisou o degrau mais alto da escada. O grande momento estava a chegar.
Neil Armstrong teve de dar um salto de um metro do último degrau da escada até ao protector das patas do Módulo. Dali estava apenas a dois centímetros de pisar na superfície lunar. Parou no suporte por um momento, testando o chão com a ponta das botas, antes de finalmente pisar no solo e dizer a frase épica da Era Espacial: “Um pequeno passo para o homem, um salto gigantesco para a humanidade”.
Por causa do campo gravitacional relativamente fraco da Lua (1/6 da Terra), o peso total de Armstrong – metade astronauta, metade roupa e equipamento de sobrevivência – era de apenas 30 quilos. ‘Buzz’ Aldrin juntou-se a Armstrong quinze minutos depois. O último acto de Neil Armstrong na Lua foi deixar na superfície um pequeno memorial com os nomes e as fotografias de Yuri Gagarin, Vladimir Komarov, Virgil Grisson, Ed White e Roger Chaffee, os americanos e soviéticos mortos durante o início das viagens espaciais e antes da chegada à Lua. De todos, apenas Gagarin não morreu numa nave espacial, mas num acidente de avião, seis anos após o seu histórico voo.
Curiosidades
Buzz Lightyear, da série Toy Story foi uma homenagem ao astronauta Edwin “Buzz” Aldrin.
Após a aterragem lunar, “Buzz”, presbiteriano, comungou. Nessa altura, a NASA estava a travar uma acção judicial iniciada pelo ateu Madalyn O’Hair (que tinha levantado objecções ao facto dos astronautas da Apollo 8 terem lido uma passagem do Génesis) que exigia aos astronautas que moderassem as suas actividades religiosas enquanto estivessem no espaço. Por isso mesmo, Aldrin evitou mencionar o assunto.
Durante os meses que antecederam a missão, e já sabendo que Neil Armstrong seria o comandante do voo histórico (e portanto, o primeiro homem na Lua), Aldrin tentou de todas as maneiras junto dos que trabalhavam na direcção do Programa Apollo e na organização da missão, arranjar um esquema de troca de lugares dentro do Módulo na hora da saída, com justificações técnicas, para que fosse ele, e não Armstrong, o primeiro homem a descer do Eagle e a pisar a Lua.
Os astronautas deixaram uma placa na Lua, onde se lê: Here Men From Planet Earth First Set Foot Upon The Moon. July 1969 A.D. We Came In Peace For All Mankind. (Aqui os homens do planeta Terra pisaram pela primeira vez a Lua. Julho de 1969. Viemos em paz, em nome de toda a Humanidade). A placa foi assinada pelos três astronautas que participaram da Apolo 11 e pelo Presidente dos Estados Unidos, Richard Nixon.
Existem poucas fotos de Neil Armstrong na Lua porque foi ele quem carregou a máquina fotográfica durante quase todo o tempo. Quase todas as fotos que mostram um astronauta sobre o solo lunar durante a missão Apollo 11 são de Edwin Aldrin.
Em 2012, o fundador da Amazon, Jeff Bezos, informou ter encontrado no fundo do oceano Atlântico os motores do foguetão Saturno V, da missão Apollo 11. Em Março de 2013, Jeff Bezos anunciou ter conseguido recuperar os motores do foguetão da missão Apollo 11. Os motores estavam a 4267 metros de profundidade e ainda que a operação fosse financiada por fundos privados, os motores continuam a ser propriedade da NASA.
Neil Armstrong morreu no dia 25 de Agosto de 2012, com 82 anos.
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