É mais barato ir a Marte do que fazer um filme

PorExpresso das Ilhas,7 out 2014 12:31

Sabia que chegar a Marte pode ficar mais barato que fazer um filme do Hollywood? Toda a missão indiana a Marte custou 74 milhões de dólares cerca de dois terços do valor que custou o filme norte-americano Gravity.

 

A Dra. Ryan Stone é uma brilhante cientista que parte na sua primeira missão espacial, cujo comando foi entregue a Matt Kowalsky, um astronauta veterano que está prestes a reformar-se. A sua missão de rotina estava a decorrer dentro da normalidade, mas um súbito acidente acaba por danificar a sua nave, deixando-os assim completamente sozinhos na fria escuridão do espaço. O ensurdecedor silêncio dos rádios dizem-lhes que não têm nenhum contacto com a Terra, e nenhuma hipótese de serem resgatados ou permanecerem vivos durante muito tempo, porque os níveis de oxigénio estão sempre a descer. O medo transforma-se rapidamente em pânico, e eles apercebem-se que o único caminho de regresso só pode envolver uma incursão espacial ainda mais profunda.

Esta é a sinopse do filme Gravity, protagonizado por Sandra Bullock e George Clooney e cuja produção custou, aos estúdios de Hollywood, cerca de 100 milhões de dólares.

Na passada quinta-feira, dia 25 de Setembro, a sonda Mangalyaan completou com sucesso a sua primeira órbita a Marte.

O custo de planear, construir e lançar esta sonda numa viagem de 11 meses até Marte? 74 milhões de dólares. No entanto convém realçar que este é apenas uma sonda demonstrativa da capacidade tecnológica indiana não estando a Mangalyaan preparada para fazer experiências científicas.

Até hoje apenas EUA, Rússia e Europa, através da Agência Espacial Europeia, tinham conseguido colocar em órbita ou fazer aterrar, de maneira bem-sucedida, as suas sondas em Marte. O Japão tinha tentado mas a sua missão de 189 milhões de dólares foi um tremendo fracasso.

Por isso, a missão indiana apesar de ser, como já foi dito, apenas uma demonstração das capacidades tecnológicas indianas, é actualmente a missão a Marte que menos dinheiro custou. Mais algumas comparações: a última missão americana ao planeta vermelho custou 671 milhões de dólares, a Mars Express teve um valor de 386 milhões a Phobos-Grunt custou 117 milhões de dólares aos cofres russos.

 

A VIAGEM

A Mangalyaan, que pesa 1,5 toneladas, deixou a Terra a bordo de um pequeno foguete, também ele de construção 100% indiana, e durante um mês esteve em órbita do nosso planeta.

A cada volta que dava à Terra a Mangalyaan ganhava velocidade pois só assim conseguiria abandonar o campo gravitacional terrestre e viajar em direcção a Marte.

A saída da atracção terrestre deu-se a 5 de Dezembro do ano passado e durante 10 meses a Mangalyaan viajou pelo espaço percorrendo 670 milhões de quilómetros até chegar a Marte.

A Mangalyaan tem um tempo de vida previsto de seis meses, após o qual ficará sem combustível. Leva a bordo vários sensores destinados a medir a presença de metano na atmosfera, à procura de sinais da presença de vida primitiva no planeta vermelho.

 

A CHEGADA

Por um breve período nas primeiras horas da manhã do dia 24 de Setembro, uma sala de controlo cheia de engenheiros indianos parou de respirar quando a Mangalyaan se escondeu atrás de lado escuro do planeta.

Eles esperavam que os sistemas automáticos accionassem o motor principal, que passaram por testes no início da semana, a fim de impedir que a sonda caísse em Marte e tornasse esta missão em mais um fracasso.

Poucos minutos tensos depois, os écrans na sala de controlo revelaram que a Índia conseguira fazer o que nenhuma outra nação tinha feito antes- ser bem sucedida na sua primeira tentativa de chegar a Marte em segurança.

 

CONCORRÊNCIA

Este sucesso coloca a Organização de Pesquisa Espacial da Índia (ISRO) num campeonato disputado por apenas quatro equipas, a NASA, a Agencia Espacial Russa e a Agencia Espacial Europeia (das sete sonda operacionais actualmente em órbita ao redor ou em solo marciano, a Mars Express da Agência Espacial Europeia é a única concorrente não-americano).

Três dias antes, o MAVEN, a última sonda americana também tinha entrado com sucesso em órbita de Marte. O custo, no entanto, é nove vezes maior do que Mangalyaan, mas a MAVEN tem uma lista de trabalhos e um tempo de vida muito superior ao da Mangalyaan.

A MAVEN tentará entender como Marte perdeu a água e a atmosfera densa que já teve. Uma órbita elíptica alongada permitirá Maven para mergulhar na fina atmosfera superior de Marte e farejar respostas.

Os fins científicos Mangalayaan são modestos. A Sua câmara fotográfica não é melhor do que as que são usadas em qualquer outra sonda. Embora também vá analisar a atmosfera de Marte, os dados de seus instrumentos miniaturizados (Mangalyaan transporta 15 kg de instrumentação, em comparação com os 65kg da Maven) não podem acrescentar muito para além daquilo que já se sabe. Por isso, o sucesso da Mangalyaan está em ter alcançado Marte com um orçamento comparativamente minúsculo.

 

CORTAR NOS CUSTOS

Para conseguir fazer chegar a sua sonda a Marte a Índia cortou custos em todas as fases da missão. Por exemplo grande parte da tecnologia usada na bem-sucedida missão lunar de 2008 foi reutilizada eliminando a necessidade de novos testes espaciais.

Outro corte promovido pela ISRO foi atravavés da utilização do seu próprio foguetão de lançamento, o Polar Satellite Launch Vehicle cuja fase de desenvolvimento foi acelerada para permitir que estivesse pronto a tempo do lançamento da sonda. Foi declarado viável em 2010 e aprovado pelo governo federal indiano em 2012, com o lançamento da Mangalyaan a ser agendado para o ano seguinte.

Para além dos interesses económicos, em parte, toda esta corrida por parte da India esteve, desde o início, relacionada com o alinhamento planetário que ocorreu na altura do lançamento e que permite a existência de uma “órbita de transferência” ou seja a Mangalyaan pôde “saltar” da Terra para Marte consumindo muito menos combustível. Se tivesse perdido essa oportunidade em Novembro de 2013, o lançamento teria de ser adiado até ao início de 2016.

 

DESAFIOS

Agora o caminho que se estende para a Índia no que respeita à exploração espacial é bem mais difícil. A Mangalyaan foi a sua segunda missão espacial e em 2016 vai pousar na lua a Chandrayaan-2, e a Aditya-1 uma sonda de exploração solar, está marcada para 2018.

Aqui os gastos serão obrigatoriamente maiores. Os foguetões que vão transportar estas sondas estão em desenvolvimento há muito menos tempos e têm, segundo relata o The Economist, uma taxa de sucesso inferior.

O investimento indiano na exploração espacial mais do que duplicou na última década, passando, de acordo com Euroconsult, de 35 mil milhões de dólares em 2000 para 73 mil milhões em 2012.

A fatia maior deste aumento do investimento veio de países considerados pobres e que estão a trabalhar em conjunto com a Índia no desenvolvimento dos seus programas espaciais. O The Economist aponta ainda que os detractores do programa espacial indiano continuarão a questionar o investimento do país na exploração espaacial, uma vez que um terço dos seus 1,2 mil milhões de habitantes ainda vive abaixo da linha da pobreza. “No entanto” refere um economista indiano ao Hindu Times, “se há um argumento económico a ser feito para a Índia como uma potência espacial, a Mangalyaan acaba de lhe dar um tiro”.


Números da Missão Mangaalyan

74 milhões de dólares: é o montante a Índia gastou no seu programa de Marte. Modi descreveu na perfeição o projecto quando disse que pôr a Sandra Bullock em órbita custou mais do que fazer a missão indiana a Marte. A missão Maven, da NASA, reconhecidamente mais complexa, custou $ 671.000.000. O Mars Express Orbiter, missão da Agência Espacial Europeia, custou $386.000.000. A missão falhada a Marte do Japão custou 189.000 mil dólares.

324 dias: O tempo que a Índia levou para completar a sua missão a Marte. O programa foi lançado a 5 de Novembro de 2013 e após 11 meses, Mangalyaan foi finalmente colocada na órbita marciana a 24 de Setembro. A NASA demorou 308 dias para colocar a sua nave na órbita do planeta vermelho.

51 missões a Marte: É o número total de missões a Marte até agora empreendidas. Para além da Índia, apenas EUA, Rússia e Europa conseguiram colocar os seus satélites ao redor da órbita marciana.

1.200 milhões dólares: é o que a Índia gasta no seu programa espacial a cada ano.

18.092: Número de tweets que foram enviados numa hora com #Mangalyaan - actualmente tendênciano twitter na Índia. Ao longo dos últimos sete dias, um total de 57.007 tweets foram postados com esta hashtag.

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Autoria:Expresso das Ilhas,7 out 2014 12:31

Editado porExpresso das Ilhas  em  31 dez 1969 23:00

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