O grande desafio do avião supersónico silencioso da NASA

PorExpresso das Ilhas,14 mai 2018 17:10

Protótipo ficará pronto em 2021, mas a maior dificuldade é que a aeronave seja aceite nos aeroportos

Sob a fachada antiestética das siglas QueSST, esconde-se um projeto que pretende mudar os rumos da aviação civil. Pelo menos essa é a ambição da NASA, que trabalha há tempos na Quiet Supersonic Technology (tecnologia supersónica silenciosa).

O ruído limitava o voo do Concorde sobre as áreas povoadas. Se isso for corrigido, poderíamos fazer voos na metade do tempo que são feitos agora. Para realizar essa meta, a NASA propôs-se a construir um protótipo que reduza a explosão sónica produzida quando um objeto ultrapassa a velocidade do som.

A agência espacial norte-americana encomendou o projecto à empresa aeroespacial Lockheed Martin, que receberá 247,5 milhões de dólares. O objetivo é construir um avião que, ao voar a 1.500 km/h, transmita apenas o ruído que escutamos ao fechar a porta de um carro. O X-Plane, como foi baptizado pela NASA, fica pronto em 2021 e começa a fase de testes sobre as cidades dos Estados Unidos no ano seguinte.

“A ideia é que a onda de choque seja muito pequena, graças à aerodinâmica e ao desenho”, afirma Miguel Ángel Barcala, director do Departamento de Aeronaves e Veículos Espaciais da Escola Aeronáutica da Universidade Politécnica de Madri (UPM), citado pelo El País/Brasil.

A NASA prevê que o futuro protótipo voe a uma altitude de 16.700 metros, em plena estratosfera. A essa velocidade, as explosões sónicas perdem seu carácter trovejante. “Se o avião voa na estratosfera em velocidade supersónica, não percebemos. A onda de choque que pode levar, associada ao voo supersónico, não chega até o solo porque é desfeita pela viscosidade da atmosfera”, explica Barcala.

O maior problema estaria na decolagem e na aterragem, quando o avião voará mais baixo e mais perto das áreas povoadas. As aeronaves supersónicas voam mal abaixo da velocidade do som, pois são projectadas para voar a altas velocidades. Na decolagem e na aterragem, portanto, não têm outra opção a não ser partir ou chegar à velocidade zero.

“O problema desses aviões é que precisam de muita potência”, diz Barcala. “O avião supersónico sustenta-se fundamentalmente por velocidade, pois suas asas costumam ser pequenas e oferecem pouca sustentação. Ou seja: se vai muito depressa, ele sustenta-se muito.” Até aqui tudo bem, porque no voo supersónico a velocidade é alta. “Mas quando voa em baixa velocidade o avião se sustenta pouco, e você precisa dar muita potência”, prossegue o especialista. “Assim, nas imediações dos aeroportos, onde o avião não tem velocidade supersónica, o ruído é enorme.”

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 858 de 9 de Maio de 2018.

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Autoria:Expresso das Ilhas,14 mai 2018 17:10

Editado porAndre Amaral  em  14 mai 2018 17:10

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