Estudo questiona utilidade da quimioterapia na forma mais comum de cancro da mama

PorExpresso das Ilhas,11 jun 2018 7:21

Estudo revela que forma mais comum de cancro da mama não diminui com quimioterapia. Outro revela que tratamento do cancro é mais eficaz quando leva em conta características genéticas.

O maior estudo alguma vez realizado sobre tratamentos de cancro da mama concluiu que a maioria das mulheres com a forma mais comum da doença podia saltar a quimio­terapia sem afectar as suas hi­póteses de vencer o cancro.

Os resultados esperam poupar cerca de 70 mil doen­tes que todos os anos nos Es­tados Unidos e em outros lo­cais passam por esta provação e fazem despesas com estes medicamentos.

Segundo a agência Lusa, os testes genéticos mostram que a maioria das mulheres não necessitam de tratamen­to, além da cirurgia e dos blo­queadores hormonais e que a quimioterapia não melhora a sobrevida.

O estudo envolveu cancros no estádio inicial, antes de se espalhar pelos gânglios linfá­ticos, alimentado por hormo­nas e que não é alvo do medi­camento Herceptin.

Os resultados do estudo fo­ram discutidos este domingo, numa conferência sobre can­cro em Chicago e são publica­dos na revista científica New England Journal of Medicine.

O estudo, conduzido por uma equipa de investigado­res do Texas, é considerado o maior feito até hoje sobre terapias inovadoras baseadas nas características genéticas individuais dos doentes.

Segundo relata a AFP, os tratamentos que atacam os tumores em função de suas características genéticas indi­viduais, e não da sua categoria geral, aumentam significati­vamente a sobrevivência do paciente em relação aos méto­dos tradicionais.

Nem todos os cancros de mama, fígado ou outros são iguais, explicam os investiga­dores. Durante anos, os pes­quisadores multiplicaram o sequenciamento de tumores, principalmente os resistentes aos tratamentos habituais, para encontrar mutações ge­néticas num paciente especí­fico e adaptar o medicamento que lhe será administrado.

Foi o que uma equipa de in­vestigadores do Texas se pro­pôs fazer em 2007, através de um estudo alargado denomi­nado “Impact”.

Os pesquisadores recruta­ram 3.743 doentes tratados no centro oncológico MD An­derson, no Texas, de 2007 a 2013. Todos tinham cancro em estágio avançado, princi­palmente de mama, pulmão ou gastrointestinal.

Do total, 711 foram tratados com um medicamento adap­tado a uma mutação genética identificada entre eles. Um segundo grupo, de 596, seguiu o protocolo padrão, principal­mente porque não havia dis­ponível nenhum tratamento geneticamente adaptado para seus casos.

Depois de três anos, 15% dos que receberam terapias moleculares específicas esta­vam vivos, em comparação com 7% no grupo de pacien­tes que seguiram o tratamen­to tradicional. Depois de 10 anos, 6% dos pacientes do grupo objetivo estavam vivos, contra 1% do outro grupo.

A principal autora do es­tudo, Apostolia Tsimberidou, disse à AFP que o novo mé­todo “melhora a cada ano”, abrindo novos horizontes para os tratamentos. “No co­meço, só podíamos trabalhar num ou dois genes. Hoje po­dem ser detetadas centenas de mutações”, explica.

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Autoria:Expresso das Ilhas,11 jun 2018 7:21

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  11 jun 2018 7:21

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