Alterações climáticas forçam mudança de habitat de peixes potenciando conflitos entre países

PorExpresso das Ilhas, Lusa,15 jun 2018 7:40

As alterações climáticas estão a forçar espécies de peixes como a cavala a mudarem de 'habitat' mais rápido do que a regulamentação de quotas de pesca, potenciando conflitos entre países, revela um estudo divulgado esta quinta-feira.

O estudo, publicado na revista científica Science, concluiu que novas zonas de pesca poderão aparecer em mais de 70 países em resultado do aquecimento global. 

A história tem demonstrado que os novos pesqueiros partilhados entre países muitas vezes provocam conflitos entre eles, salienta em comunicado a Universidade Rutgers, nos Estados Unidos, que coordenou o novo trabalho. 

A investigação assinala que um futuro com menos emissões de gases com efeito de estufa, causadores do aquecimento do planeta, reduziria o potencial de conflito entre nações sobre reservas de pesca, mas também sobre comércio, fronteiras marítimas e soberania territorial. 

De acordo com os especialistas, os conflitos levam à pesca excessiva, que reduz a quantidade de peixe disponível e o lucro e o emprego que a actividade pesqueira fornece. 

"A maioria das pessoas não sabe que o direito de pescar determinadas espécies de peixes é decidido frequentemente por órgãos nacionais e regionais de gestão pesqueira. Estes órgãos fixaram regras com base na noção de que certas espécies de peixe vivem em determinadas águas e não se movimentam muito. Mas os peixes estão a movimentar-se porque as alterações climáticas estão a aquecer os oceanos", afirmou um dos autores do estudo, Malin Pinsky, citado em comunicado pela universidade norte-americana. 

Malin Pinsky e o colega James Morley realçam, num outro estudo recente, que muitas espécies de peixes comercialmente importantes poderão nadar centenas de quilómetros em direcção a norte em busca de água mais fria, o que, frisam, já está a acontecer, provocando perturbações na pesca e consequentemente conflitos entre países. 

Os dois especialistas em ecologia e recursos naturais dão como exemplo a "guerra da cavala" entre a Islândia e a União Europeia. 

Sujeitos às regras acordadas pelos países-membros, os pescadores da União Europeia pescam uma determinada quantidade de cavalas por ano. Contudo, em 2007, as cavalas começaram a nadar para águas mais frias, perto da Islândia, que não pertence à União Europeia. 

A Islândia passou a pescar a súbita abundância de cavala, mas não concordou com a União Europeia sobre os limites de pesca sustentável da espécie, dando origem a uma guerra comercial. 

Um outro exemplo dado pelos investigadores da Universidade Rutgers é o conflito entre os pescadores de lagosta dos Estados Unidos e do Canadá. Esta espécie de crustáceo está a mudar-se para águas mais a norte, da região norte-americana Nova Inglaterra para as Províncias Marítimas do Canadá. 

Os autores do estudo sugerem, como solução para disputas como estas, que os governos possam permitir a negociação de licenças e quotas de pesca através das fronteiras internacionais. 

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Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,15 jun 2018 7:40

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  15 jun 2018 8:48

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