Obesidade e diabetes do tipo 2 tratadas com sucesso (por agora em ratos)

PorExpresso das Ilhas,16 jul 2018 6:12

Uma equipa de investigadores da Universidade Autónoma de Barcelona encontrou um tratamento eficaz para a obesidade e a diabetes do tipo 2 em ratos através de uma terapia genética. Resultados de terapia genética estão publicados numa revista científica.

O estudo foi apresentado pela equipa de investigação numa conferência de imprensa realizada no campus da Universidade Autónoma de Barcelona em Bellaterra, onde o grupo de investigadores, liderado por Fátima Bosch, esteve presente. Os resultados foram publicados na revista EMBO Molecular Medicine.

De acordo com a agência Lusa, com a introdução, numa única injecção, de um vector viral adeno-associado portador do gene do factor de crescimento de fibroblastos 21 (FGF21), que permite a manipulação genética do fígado, tecido adiposo ou músculo-esquelético, o animal produz continuamente a proteína FGF21.

Trata-se de uma hormona produzida naturalmente por vários órgãos e que actua em muitos tecidos para regular o funcionamento correcto no nível de energia, induzindo assim a sua produção por terapia genética, e levando a que o animal reduza o seu peso assim como a resistência à insulina.

No que diz respeito à obesidade, a terapia aplicada através do projecto de investigação foi testada com sucesso em dois modelos da doença, induzidos tanto geneticamente como por dieta.

Os investigadores perceberam que a administração da terapia genética em indivíduos saudáveis causa igualmente um envelhecimento mais saudável e protege-os do excesso de peso e resistência à insulina relacionados com a idade.

Após o tratamento com AAV-FGF21, e durante o ano e meio em que os animais foram seguidos, os ratos perderam peso e reduziram a acumulação de gordura e a inflamação no tecido adiposo.

A deposição de gordura (esteatose), a inflamação e fibrose no fígado também foram neutralizadas, enquanto a sensibilidade à insulina e a saúde geral aumentaram à medida que envelheceram, sem terem sido observados efeitos colaterais.

A partir de todo o processo, os resultados foram reproduzidos pela manipulação genética de vários tecidos para produzir a proteína FGF21, seja o fígado, o tecido adiposo ou o músculo.

“Isso dá uma flexibilidade muito grande à terapia, já que permite seleccionar o tecido mais apropriado e, caso haja alguma complicação que previna a manipulação de qualquer um dos tecidos, pode ser aplicada a qualquer um dos outros”, disse a investigadora que coordenou o estudo, citada pela mesma agência.

Fátima Bosch acrescentou que quando um desses tecidos produz a proteína FGF21 e a coloca na corrente sanguínea, ela é distribuída por todo o corpo. Destacou ainda a relevância dos resultados perante o aumento dos casos de diabetes do tipo 2 e da obesidade em todo o mundo.

Os resultados do estudo mostram também como a administração de terapia genética tem um efeito protector contra o risco de formação de um tumor quando o fígado é submetido a uma dieta altamente calórica por um longo período de tempo.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 867 de 11 de Julho de 2018.

Concorda? Discorda? Dê-nos a sua opinião. Comente ou partilhe este artigo.

Autoria:Expresso das Ilhas,16 jul 2018 6:12

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  16 jul 2018 6:12

pub.
pub.
pub.
pub
pub.

Últimas no site

    Últimas na secção

      Populares na secção

        Populares no site

          pub.