Tirar o apêndice reduz risco de doença de Parkinson em 20%

PorExpresso das Ilhas,11 nov 2018 7:15

Análise epidemiológica envolveu 1,6 milhões de indivíduos na Suécia e demonstrou que a remoção do apêndice está associada à redução do risco de doença de Parkinson em quase 20% dos casos.

É comum dizer-se que o apêndice vermicular não serve para nada (ou para muito pouco) e que só nos lembramos que existe quando infecta e nos leva às urgências com uma apendicite que se resolve com a sua remoção. Mas, afinal, este pequeno órgão do corpo humano poderá ser mais importante do que se pensava. Segundo um estudo divulgado quarta-feira última na revista científica Science Translational Medicine, o apêndice poderá estar implicado no início do desenvolvimento da doença de Parkinson. Para chegar a esta conclusão, uma equipa de cientistas realizou um estudo epidemiológico de larga escala que envolveu a análise de registos de mais de 1,6 milhões de pessoas na Suécia.

Tudo indica que não estamos perante uma mera coincidência. É provável que duvide se lhe dissermos apenas que este estudo revela que a remoção do apêndice está associada à redução do risco de doença de Parkinson (DP) em quase 20% dos casos. Mas como? Porquê? O que é que este pequeno e aparentemente inútil órgão tem a ver com uma doença neurodegenerativa? Primeiro que tudo, saiba que o apêndice não é assim tão inútil. De facto, pode-se viver bem sem ele, mas há vários estudos que demonstram que também pode desempenhar um papel importante para o nosso sistema imunológico e não só. Dito isto, avancemos para a tal aparente “coincidência”.

Na verdade, o apêndice e a doença de Parkinson partilham um importante elo comum: a alfa-sinucleína. Já se sabia que existe uma proteína chamada alfa-sinucleína que se acumula (de forma tóxica) no cérebro dos doentes de Parkinsone de outras doenças neurodegenerativas. Porém, ainda não se percebeu por que é que essa acumulação acontece. De acordo com este novo artigo, o apêndice actua como um importante reservatório para alfa-sinucleína, que está intimamente ligada ao início e à progressão de Parkinson.

“Os nossos resultados apontam para o apêndice como um local de origem para Parkinson e fornecem um caminho para o desenvolvimento de novas estratégias de tratamento que alavanquem o papel do tracto gastrointestinal no desenvolvimento da doença”, refere Viviane Labrie, investigadora no Instituto de Investigação Van Andel, sediado em Grand Rapids no estado norte-americano de Michigan, num comunicado de imprensa sobre o estudo. E confirma: “Apesar de ter uma reputação de algo completamente desnecessário, o apêndice desempenha um papel importante no nosso sistema imunológico, na regulação da composição de nossas bactérias intestinais e agora, como mostramos com o nosso trabalho, na doença de Parkinson.”

Viviane Labrie e a sua equipa encontraram aglomerados de alfa-sinucleína em apêndices de pessoas saudáveis de todas as idades, bem como pessoas com Parkinson. A alfa-sinucleína é considerada uma marca da doença de Parkinson e pensava-se que só estivesse presente em pessoas com a doença. Os dados para o estudo foram recolhidos a partir de uma “caracterização profunda e visualização de formas de alfa-sinucleína no apêndice, que revelou uma notável semelhança com as encontradas no cérebro na doença de Parkinson”.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 883 de 31 de Outubro de 2018.

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Autoria:Expresso das Ilhas,11 nov 2018 7:15

Editado porSara Almeida  em  11 nov 2018 7:15

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