O segredo para viver cem anos está nas suas mãos, não nos seus genes

PorExpresso das Ilhas,7 jan 2019 6:40

​Cientistas pensavam que a chave para a longevidade estava num estilo de vida saudável e uma genética favorável, mas a última influi menos do que se acreditava.

Até agora pensava-se que “a diferença entre os que vivem muito e os que vivem pouco dependia entre 15% e 30% da genética”, explica Miguel Pita, professor de Genética no Departamento de Biologia da Universidade Autónoma de Madrid (UAM), e autor do livro El ADN Dictator (2017). No entanto, segundo o El País, um novo estudo publicado na revista Genetics joga por terra esta ideia.

A pesquisa, intitulada “As estimativas da hereditariedade da longevidade humana estão substancialmente infladas por causa da combinação selectiva”, foi conduzida por um grupo de pesquisadores radicado na Califórnia (EUA) que comparou 54 milhões de árvores genealógicas do Ancestry, um banco de dados que conecta pessoas de todo o mundo com seus ancestrais. De acordo com os resultados, os genes influenciam, mas muito menos do que se pensava anteriormente. Apenas 7%

A genética actua a partir da oitava década

As conclusões são relativamente surpreendentes, embora a ciência já soubesse que o ADN pesava menos que o estilo de vida. “A ideia geral que tínhamos até agora era que, nas sete ou oito primeiras décadas de vida, o estilo de vida é mais importante que a genética”, diz Pita, citado pela mesma fonte. “Digamos que o estilo de vida sobrepõe-se ao efeito da genética. Se você conseguir manter uma dieta saudável, com pouco álcool, pouco fumo e muito exercício, viverá muito mais do que se não fizer isso, independentemente da genética que tenha.”

É a partir da sétima e oitava décadas que a genética intervém, acrescenta este especialista: «Todas aquelas pessoas que são nonagenários e centenárias, além de terem tido um estilo de vida adequado, tendem a possuir uma determinada genética». O professor Pita dá dois exemplos: «A genética é importante porque, se você tem uma propensão muito grande ao câncer, obviamente a duração de sua vida será afetada”. No entanto, ele faz uma comparação com o talento para a música. “Todos podemos nos esforçar e tocar violão mais ou menos bem, mas, para sermos um génio, precisamos de uma certa genética”, diz ele.

A novidade deste estudo está na maneira como os dados foram analisados, e é isso que é enfatizado no complicado título. “O que diz é que a diferença entre viver muito ou viver um pouco por causa da influência da genética não é muita. Que é maior a influência ambiental.» Este trabalho demonstra que os estudos anteriores que apontavam que os genes tinham 30% da culpa por alguém viver pouco ou muito não foram muito bem feitos: “Baseavam-se numa combinação selectiva, de modo que, quando parecia que duas pessoas tinham a mesma genética, o que elas tinham, na verdade, era o mesmo ambiente”.

Texto originalmente publicado na edição impressa do expresso das ilhas nº 892 de 2 de Janeiro de 2019.

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Autoria:Expresso das Ilhas,7 jan 2019 6:40

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  7 jan 2019 6:40

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