Achado o cadáver de um planeta como a Terra

PorExpresso das Ilhas,15 abr 2019 6:37

​Estrela moribunda a 400 anos-luz mostra como será o Sistema Solar quando o Sol se apagar

Uma parte de um planeta que sobreviveu à explosão da estrela à volta da qual orbitava foi encontrada a 400 anos-luz da Terra. Um novo relatório publicado quinta-feira passada na revista Science dá conta da descoberta de um planeta morto a orbitar uma anã branca — o cadáver de uma estrela com a massa semelhante à do Sol — num sistema estelar semelhante ao nosso. Este mundo distante, que só conseguiríamos alcançar se viajássemos durante 400 anos a uma velocidade de 300 milhões de metros por segundo, representa o destino a que o Sistema Solar está condenado. Encontrá-lo é como olhar para o nosso futuro.

“A razão principal pela qual estudamos essas estrelas é que o Sol terminará sendo uma delas”, diz Paula Izquierdo, pesquisadora do Instituto de Astrofísica das Canárias e coautora do estudo, citada pelo El País. “Quando os planetas mais próximos do Sol forem engolidos, as forças de maré acabarão por desmembrá-los. Uma vez que o Sol voltar a se encolher e se tornar uma anã branca, restará ao seu redor uma nuvem de escombros muito similar à que vemos agora”, detalha.

No estudo publicado na revista Science, os astrónomos descrevem as linhas espectrais emitidas pelos gases achados à volta da estrela, denominada SDSS J122859.93+104032.9, e confirmam que há um corpo sólido, com até 600 quilómetros de diâmetro, do qual metais estão evaporando. A rocha orbita tão perto da sua estrela que dá uma volta aproximadamente a cada duas horas. A sua temperatura é de 1.700 graus, e os gases afirmam que é feita principalmente de ferro, assim como o núcleo da Terra.

O fragmento rochoso “deve ser muito denso”, explica à mesma fonte Boris Gaensicke, pesquisador da Universidade de Warwick (Reino Unido) e coautor do estudo, “por isso propomos que seja feita de ferro e níquel”. “Se fosse de ferro puro, poderia sobreviver na órbita em que está sem se desintegrar. Também é possível que contenha ferro e outros materiais consistentes, o que significaria que pode ser um fragmento grande do núcleo de um planeta cujo diâmetro original era ao menos de centenas de quilómetros, pois esse é o limite a partir do qual esses corpos começam a gerar elementos pesados”, explica.

Luza Fossati, do Instituto de Estudos Espaciais, em Viena, explica num comentário ao estudo outra decorrência desta descoberta. “Como estes fragmentos planetários podem ser restos do núcleo de planetas rochosos, estudar o espectro lumínico de anãs brancas como esta pode nos ajudar a determinar a composição química e a abundância de metais nos núcleos planetários”, afirma. Isto inclui o nosso próprio planeta, já que é impossível alcançar seu núcleo para averiguar do que exatamente é feito.

Texto originalmente publicado na edição impressa do expresso das ilhas nº 906 de 10 de Abril de 2019.

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Autoria:Expresso das Ilhas,15 abr 2019 6:37

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  15 abr 2019 6:37

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