Descobertos restos da explosão de estrela observados pelos chineses há dois mil anos

PorExpresso das Ilhas,18 mai 2019 8:48

Primeiros registos datam do ano 48 a.C. e agora foram detectados por telescópio no Chile.

Uma equipa europeia, em colaboração com o Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (em Portugal), descobriu os restos de uma explosão de hidrogénio na superfície de uma estrela, que tinha sido observada pelos chineses há cerca de dois mil anos.

Em comunicado datado de finais de Abril, o Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA) adiantou que a descoberta, aceite para publicação na revista Astronomy & Astrophysics, ocorreu no exame globular de estrelas M22, ou Messier 22, situado a 9785 anos-luz de distância da Terra, na direcção da constelação de Sagitário.

A investigação, que descobriu o remanescente de uma nova – uma explosão de hidrogénio na superfície de uma estrela e que faz aumentar o seu brilho –, vem ao encontro dos registos de observações efectuadas por astrónomos chineses no ano 48 a.C. Esta descoberta, assegura o instituto, confirma uma das mais antigas observações que chegou aos dias de hoje, efectuada por astrónomos chineses em 48 a.C.

“O remanescente da nova descoberto no enxame M22 (um dos 150 enxames globulares que orbita a Via Láctea) é uma nebulosa avermelhada de hidrogénio e outros gases, com um diâmetro de 8000 unidades astronómicas [a unidade astronómica tem cerca de 150 milhões de quilómetros]. Mas apesar do tamanho, a nebulosa tem uma massa de apenas 30 vezes a da Terra”, aponta o instituto, citado pelo jornal Público.

A localização desta nova coincide assim com registos de observações efectuadas por astrónomos chineses no ano 48 a.C.: “Eles provavelmente viram a nova original, exactamente no mesmo sítio. Isto quer dizer que os nossos instrumentos confirmaram uma das mais antigas observações de um evento que ocorreu fora do nosso sistema solar”, sublinha Fabian Göttgens, do Instituto de Astrofísica da Universidade Göttingen (Alemanha) e o primeiro autor do artigo. “Esta observação”, resume Jarle Brinchmann, investigador do IA e da Universidade do Porto, citado no comunicado.

Texto originalmente publicado na edição impressa do expresso das ilhas nº 911 de 15 de Maio de 2019. 

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Autoria:Expresso das Ilhas,18 mai 2019 8:48

Editado porAndre Amaral  em  18 mai 2019 8:48

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