Bactérias que “comem” carne humana estão a espalhar-se para praias onde antes não chegavam

PorExpresso das Ilhas,2 jul 2019 6:14

Bactérias que “comem” carne que vivem no oceano estão a espalhar-se para as águas das praias que, anteriormente, não estavam afectadas. As alterações climáticas podem ser as culpadas.

Os autores do relatório descreveram cinco casos de graves infecções bacterianas em pessoas que estiveram expostas à água ou frutos do mar de Delaware Bay, uma praia entre Delaware e New Jersey, nos Estados Unidos. Estas infecções são raras, sendo que a bactéria responsável pela doença, chamada Vibrio vulnificus, prefere águas mais quentes, como as do Golfo do México.

Mas, como reporta o online zap.aeiou.pt com o aumento das temperaturas do oceano devido às alterações climáticas, V. Vulnificus pode estar a mover-se para Norte, provocando estas infecções em áreas que não estavam afectadas anteriormente.

“Acreditamos que os clínicos devem estar cientes da possibilidade de que as infecções por V. vulnificus ocorram mais frequentemente fora das áreas geográficas tradicionais”, escreveram os autores, do Cooper University Hospital, no relatório publicado na revista Annals of Internal Medicine.

V. vulnificus vive em águas oceânicas com temperaturas superiores a 13ºC. As pessoas podem ficar infectadas com a bactéria de duas maneiras: se consumirem frutos do mar contaminados ou se tiverem uma ferida aberta que entra em contacto directo com a água do mar que contém as bactérias.

Embora a maioria das pessoas infectadas com V. Vulnificus desenvolvam apenas sintomas leves, algumas pessoas desenvolvem infecções graves na pele ou na corrente sanguínea. V. vulnificus pode causar fasceíte necrotizante, uma infecção rara que causa a morte dos tecidos moles do corpo e pode resultar em amputações ou até morte.

Os autores observaram que, de 2008 a 2016, o hospital viu apenas um caso de infecção por V. vulnificus. Mas nos verões de 2017 e 2018, esse número saltou para cinco casos. Todos esses pacientes tinham ido pescar caranguejos na Baía de Delaware ou consumido frutos do mar da área e todos os pacientes desenvolveram fasceíte necrotizante. Um paciente morreu.

Para prevenir a infecção, o CDC (Centros para Controle e Prevenção de Doenças da sigla inglesa) recomenda que pessoas com feridas abertas evitem contacto com água salgada ou salobra ou cubram as feridas com uma ligadura impermeável. Também é recomendado que as pessoas evitem comer mariscos crus ou mal cozidos.

Texto originalmente publicado na edição impressa do expresso das ilhas nº 917 de 26 de Junho de 2019. 

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Autoria:Expresso das Ilhas,2 jul 2019 6:14

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  2 jul 2019 6:14

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