Novo estudo indica que comer em excesso não é a principal causa da obesidade

PorExpresso das Ilhas,25 set 2021 8:06

A obesidade afecta grande parte da população e já é considerada umas das maiores epidemias do século XXI. Contudo, a ideia de que quanto mais se come, mais propenso se está a ganhar peso pode ser errada. O segredo estará no tipo de alimentos que se ingere.

As estatísticas dos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças (CDC), de acordo com o site zap.aeiou.pt, mostram que a obesidade afecta mais de 40% dos adultos americanos, colocando-os em maior risco de doenças como AVCs, diabetes e alguns tipos de cancro.

As directrizes do United States Department of Agriculture (USDA) dizem que perder peso “exige que os adultos reduzam o número de calorias que obtêm com alimentos e bebidas e aumentem a quantidade gasta com a actividade física”.

Esta abordagem para controlo de peso é baseada no modelo de equilíbrio de energia, que afirma que o ganho de peso é causado pelo consumo de um valor de energia superior à que gastamos.

Contudo, os autores de um novo estudo publicado no The American Journal of Clinical Nutrition, citado pela mesma fonte, apontam algumas falhas fundamentais no modelo de balanço energético, argumentando que um modelo alternativo – o modelo de carboidrato-insulina – explica melhor a obesidade e o ganho de peso.

David Ludwig, principal autor do estudo, refere que o modelo de balanço energético não ajuda a entender as causas biológicas do ganho de peso.

O especialista indica que não é o excesso de comida que pode causar obesidade. Em vez disso, o modelo carboidrato-insulina atribui grande parte da culpa pela actual epidemia de obesidade aos padrões dietéticos modernos caracterizados pelo consumo excessivo de alimentos com alta carga glicémica, em particular, carboidratos processados e de rápida digestão.

Esses alimentos causam respostas hormonais que alteram o nosso metabolismo, aumentando o armazenamento de gordura, ganho de peso e obesidade, escreve o Science Direct.

Quando comemos carboidratos altamente processados, o corpo aumenta a secrecção de insulina e suprime a secrecção de glucagon. Isso, por sua vez, sinaliza às células de gordura para armazenar mais calorias, deixando menos calorias disponíveis para alimentar os músculos e outros tecidos metabolicamente activos.

O cérebro percebe que o corpo não está a receber energia suficiente, o que, por sua vez, leva à sensação de fome. Além disso, o metabolismo pode tornar-se mais lento na tentativa de conservar combustível no corpo. Assim, a pessoa permanece com fome, mesmo que continue a ingerir gorduras.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1034 de 22 de Setembro de 2021.

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Autoria:Expresso das Ilhas,25 set 2021 8:06

Editado pormaria Fortes  em  25 set 2021 8:06

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