Tempestades de “rios atmosféricos” podem custar uma fortuna (e as alterações climáticas estão a piorá-las)

PorExpresso das Ilhas,7 nov 2021 15:30

Tempestades de “rios atmosféricos” podem custar até mil milhões de dólares em prejuízos. As alterações climáticas estão a piorá-las cada vez mais.

Peça às pessoas para dizerem qual é o maior rio do mundo, e a maioria provavelmente vai dizer que é o Amazonas, o Nilo ou o Mississippi. Na realidade, alguns dos maiores rios da Terra estão no céu – e podem produzir tempestades poderosas, como as que agora inundam o Norte da Califórnia.

Os rios atmosféricos são faixas longas e estreitas de humidade na atmosfera que se estendem desde os trópicos até latitudes mais altas. Esses rios no céu podem transportar 15 vezes o volume do rio Mississippi.

Quando essa humidade atinge a costa e move-se para o interior, sobe pelas montanhas, gerando chuva e neve. Muitos ocidentais, fustigados pelos incêndios, acolhem esses dilúvios, mas os rios atmosféricos podem desencadear outros desastres, como inundações extremas e fluxos de detritos.

Nos últimos 20 anos, conta o site zap.aeiou.pt, à medida que as redes de observação melhoraram, os cientistas aprenderam mais sobre esses importantes fenómenos climáticos.

Os rios atmosféricos ocorrem globalmente, afectando as costas Oeste das principais massas de terra do mundo, incluindo Portugal, Europa Ocidental, Chile e África do Sul. As chamadas tempestades “Pineapple Express”, que transportam humidade do Havai para a Costa Oeste dos Estados Unidos, são apenas um dos seus muitos sabores.

Recentemente, uma equipa de investigadores do Scripps Institution of Oceanography e do Army Corps of Engineers fez a primeira análise sistemática de danos de rios atmosféricos devido a inundações extremas.

Os investigadores descobriram que, embora muitos desses eventos sejam benignos, os maiores causam a maior parte dos danos causados pelas cheias no Oeste dos EUA. E prevê-se que os rios atmosféricos ficarão mais longos, mais húmidos e mais largos num clima mais quente.

Rios no céu

Segundo o zap.aeiou.pt, a 27 de Fevereiro de 2019, um rio atmosférico impulsionou uma nuvem de vapor de água de 560 quilómetros de largura e 2.500 quilómetros de comprimento através do céu desde o Oceano Pacífico Norte tropical até à costa do Norte da Califórnia.

Ao norte da Baía de São Francisco, na famosa região vinícola de Sonoma County, a tempestade despejou mais de 55 centímetros de chuva. Os danos foram estimados em mais de 100 milhões de dólares.

Eventos como este chamaram a atenção nos últimos anos, mas os rios atmosféricos não são novos. Eles vaguearam pelo céu durante milhões de anos, transportando vapor de água do Equador em direção aos polos.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1040 de 3 de Novembro de 2021.

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Autoria:Expresso das Ilhas,7 nov 2021 15:30

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  7 nov 2021 15:30

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