Com a sua capacidade de observar em infravermelho, o Webb consegue detectar galáxias extremamente distantes, cuja luz viajou durante milhares de milhões de anos até chegar à Terra. Desta forma, o telescópio permite aos cientistas estudar períodos muito próximos do início do Universo, incluindo a chamada “Aurora Cósmica”, quando começaram a formar-se algumas das primeiras estrelas e galáxias.
Entre as descobertas que têm despertado maior interesse estão os chamados “Little Red Dots”, uma população de objectos compactos e avermelhados identificada pelo Webb. A NASA refere que muitos destes objectos existiram durante os primeiros 1,5 mil milhões de anos após o Big Bang e que uma grande parte apresenta sinais compatíveis com a presença de buracos negros supermassivos em crescimento. Num dos estudos, cerca de 70% dos objectos analisados apresentaram evidências de gás a orbitar a velocidades extremamente elevadas, uma indicação de discos de acreção associados a buracos negros.
A descoberta inicialmente levantou a possibilidade de algumas destas estruturas serem galáxias extraordinariamente massivas para a época em que foram observadas. No entanto, as observações indicam que uma parte significativa da sua luminosidade pode ser produzida por buracos negros que estão a acumular matéria, e não exclusivamente pelas estrelas. Isso reduz a dimensão do aparente problema colocado às teorias de formação galáctica.
Ainda assim, os “Little Red Dots” permanecem uma questão em aberto. Os astrónomos continuam a investigar por que razão estes objectos aparecem em grande número no Universo primordial e praticamente desaparecem em épocas posteriores. A NASA salienta que existem várias hipóteses para explicar as suas características e que novas observações serão necessárias para determinar a sua verdadeira natureza.
Outro dos grandes problemas da cosmologia contemporânea é a chamada “Hubble Tension”, a diferença entre diferentes métodos utilizados para calcular a velocidade de expansão actual do Universo.
As observações do Webb reforçaram a evidência de que esta discrepância não resulta simplesmente de erros de medição. O telescópio conseguiu distinguir estrelas variáveis de estrelas próximas em campos densos, ajudando a eliminar uma possível fonte de erro, e também forneceu observações independentes através de uma supernova distante cuja luz foi ampliada por uma lente gravitacional.
A existência da tensão não significa, contudo, que a cosmologia tenha sido refutada. A própria NASA considera que a questão permanece em aberto e que serão necessárias mais medições e diferentes métodos para determinar a origem da discrepância.
As observações do James Webb estão, assim, a obrigar os cientistas a aperfeiçoar os modelos utilizados para descrever a formação das primeiras galáxias, o crescimento dos buracos negros e a expansão do Universo. Algumas aparentes anomalias já começaram a encontrar explicações, enquanto outras continuam sem resposta.
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