Modelin, inclusão na passarela

PorExpresso das Ilhas,10 dez 2018 12:07

Parte dos modelos da Modelin
Parte dos modelos da Modelin(Eneias Rodrigues/Modelin)

Quinze modelos e vários grupos de dança e música encheram de cor e animação o Auditório Nacional Jorge Barbosa na sexta-feira, em mais um evento da Mondelin, Associação de Moda Inclusiva.

Foi-se o tempo em que as passarelas da moda eram reduto exclusivo de modelos de um suposto padrão de perfeição física. Pelo mundo todo, torna-se cada vez mais comum ver desfiles de moda onde os modelos são pessoas “normais”, com corpos “reais”.

Joana Almada, activista social cuja história de superação e inspiração é já relativamente conhecida, decidiu levar essa ideia um pouco mais adiante e criou há poucos anos a Modelin, uma associação para promover a inclusão através da moda.

No ano passado viu o seu sonho crescer quando realizou o primeiro desfile de moda inclusiva do país. Na passarela pessoas que, geralmente, são marginalizadas pela indústria da moda ou pela sociedade: deficientes físicos, anões, elementos da comunidadeLGBT, plus sizes, etc.

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Este ano, depois de ter sido uma das seleccionadas do programa Young Africa Leader e passado uma temporada nos Estados Unidos da América, regressou ainda mais motivada a continuar com o projecto e pôs mãos à obra. Agora também com o propósito de dar a conhecer África.

“ O tema do desfile deste ano é “Nô África” porque quero contribuir para conhecermos mais e melhor o nosso continente. Conhecemos pouco e também somos pouco conhecidos por outros países africanos. Então este desfile é para dar a conhecer e celebrar a cultura africana”, conta Joana Almada a poucas horas de se iniciar o espectáculo e lamentando as dificuldades com que se deparou para concretizá-lo, como a falta de acesso e de lugares para cadeirantes no Auditório Nacional.

“Mas mesmo com as dificuldades vamos fazer. A força de vontade é maior que tudo, não vamos desistir”, diz com o espírito de luta que a caracteriza.

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E fizeram. Durante a noite o palco foi invadido pelas cores vibrantes dos trajes africanos – alguns criados pela marca Zany Confecções – e das pinturas faciais e corporais feitas pelo artista plástico Hélder Cardoso. Também pelas actuações musicais e de dança dos Mon na Roda, Grupo de Dança Nicole, Voz ADVIC e Grupo das Comunidades Africanas.

A reacção do público foi calorosa e a expectativa de uma terceira edição, para o próximo ano, é alta.


Titico, dançarino campeão

Na passarela do evento da Mondelin esteve um modelo muito especial: Nilson “Titico” Pires, o filho de Joana Almada que, como a mãe, integra o grupo de dança em cadeiras de rodas Mon na Roda. Enquanto a mãe se destaca no desporto paralímpico, ganhando algumas vezes o primeiro lugar em corridas de cadeira de roda e campeonatos de lançamento de peso, Titico tornou-se aos 15 anos campeão de dança em cadeiras de roda a nível internacional.

Foto: Eneias Rodrigues
Foto: Eneias Rodrigues

No ano passado iniciou a sua participação em eventos internacionais e este no ganhou medalha de prata na categoria Man Singles no campeonato realizado na Holanda, e depois medalha de ouro no campeonato na Polónia. Por estes feitos Titico Pires é um dos destaques no ano pelo comité paralímpico internacional que o coloca no Top 3 Male Para Dancers.

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Autoria:Expresso das Ilhas,10 dez 2018 12:07

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  10 dez 2018 12:07

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