Gene que aumenta risco de Alzheimer também agrava COVID-19

PorExpresso das Ilhas,8 fev 2021 14:40

Um grupo de investigadores do centro de pesquisa City of Hope, nos Estados Unidos, descobriu que o mesmo gene que aumenta o risco de Alzheimer, o ApoE4, pode elevar a susceptibilidade e a gravidade da infecção causada pelo novo coronavírus.

"O nosso estudo fornece uma ligação causal entre o factor de risco do mal de Alzheimer e a COVID-19 e explica por que alguns, por exemplo, portadores de ApoE4, mas nem todos os pacientes com coronavírus apresentam manifestações neurológicas", afirmou num comunicado Yanhong Shi, directora da Divisão de Biologia de Células-Tronco da City of Hope e co-autora do estudo.

"Compreender como os factores de risco para doenças neurodegenerativas afectam a gravidade da COVID-19 ajudar-nos-á a lidar melhor com a doença e os seus potenciais efeitos a longo prazo em diferentes populações de pacientes", acrescentou.

Inicialmente, os investigadores pretendiam entender a razão porque algumas pessoas perdem o paladar e o olfacto quando infectadas pelo novo coronavírus. Para tal, os cientistas criaram células cerebrais em laboratório a partir de células-tronco pluripotentes, capazes de se transformarem em qualquer outro tipo de célula.

De seguida, os neurónios e astrócitos - células abundantes no sistema nervoso - que haviam sido recentemente formuladas foram infectadas com o SARS-CoV-2, momento em que os cientistas observaram que ambos eram susceptíveis à infecção.

Depois, explica a Galileu, os especialistas utilizaram essas células tronco para produzir organóides cerebrais, que consistem em modelos de tecido 3D que imitam determinados traços do cérebro humano. Produziu-se um modelo composto por astrócitos e outro sem essas células. Os investigadores infectaram então os dois tipos de organóides cerebrais com o vírus e detectaram que aqueles com astrócitos aumentavam a infecção pelo novo coronavírus.

Por conseguinte, utilizando métodos de edição genética, os cientistas alteraram algumas das células ApoE4 criadas por células-tronco para que contivessem ApoE3, um tipo de gene considerado neutro, para produção de neurónios e astrócitos.

Os dados apurados revelaram uma maior predisposição da ApoE4 à infecção por Sars-CoV-2, comparativamente com os neurónios ApoE3 neutros.

No fim, os investigadores testaram se a droga antiviral remdesivir impede a infecção pelo novo coronavírus em neurónios e astrócitos. Sendo que o fármaco foi capaz de diminuir com sucesso a carga viral nos astrócitos e prevenir a morte celular.

Agora os cientistas pretendem continuar a estudar os efeitos do vírus para entender melhor o papel da ApoE4 nas manifestações neurológicas da COVID-19.

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Autoria:Expresso das Ilhas,8 fev 2021 14:40

Editado porAndre Amaral  em  1 mar 2021 16:19

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