No ramo da confeitaria há quatro anos, Dora explica que a ideia nasceu de um pedido recorrente dos clientes.
“Muitos querem apenas uma fatia e não um bolo inteiro de casamento ou aniversário. Então pensei por que não oferecer um pedaço do meu bolo e da minha história?”, conta.
O festival surge assim como uma montra de sabores e, ao mesmo tempo, uma porta aberta a novos clientes que ainda não conhecem o seu trabalho.
A primeira edição apresenta sete sabores diferentes, escolhidos a partir das preferências mais pedidas ao longo do ano. Entre eles estão Chocolate e Maracujá, Prestígio, Cenoura e Chocolate, Dois Amores, Red Velvet, novidade na casa, e Explosão de Morangos.

“O processo de selecção foi simples, ouvi os clientes, fui juntando pedidos de massas e recheios até nascerem receitas que hoje são de casa”, explica.
Alguns bolos carregam descrições que dão água na boca. O Prestígio, por exemplo, combina uma massa de chocolate chiffon, muito macia e húmida, com recheio de coco, leite condensado e nata.
Já o Dois Amores, durante muito tempo o ex-líbris da confeiteira, junta chiffon fofo a recheio de quatro leites, brigadeiro e chocolate.
“Achava que esse representava a minha identidade, mas depois de experimentar o Red Velvet, há uma semana, tudo mudou. Agora é esse que todos pedem”, admite, entre risos.
Cada fatia custa 400 escudos, um valor que, segundo Dora, nem sempre é compreendido.


“Quando as pessoas vêem o preço pensam que é só farinha e açúcar. Mas há muito mais envolvido: produtos caros, tempo, dedicação e carinho. Também há o factor preço elevado dos ingredientes”, sublinha.
A preparação do festival exige pelo menos três dias de trabalho, com uma equipa composta por Dora e mais dois funcionários. “As compras já estão feitas, agora é só confeitar”, garante.
O evento destina-se a todo o tipo de público, desde crianças a idosos, desde que possam consumir açúcar. A expectativa passa por receber entre 200 e 300 pessoas, número semelhante ao de fatias que espera vender.


Para já, não há opções sem açúcar ou sem glúten, embora a confeiteira reconheça a procura crescente.
Formada em cozinha e pastelaria, Dora Moreira tem um dia-a-dia intenso. Numa semana normal, chega a confeccionar cerca de 28 bolos de aniversário, além de tortas, bolos caseiros, bolos finos e outras especialidades, como bolo de pote, choco delícia na tigela e mini bolos vulcão.
Mais do que vender doces, o Festival de Fatias pretende valorizar a confeitaria como arte e profissão. “Bolo ´muito mais do que bolo. Representa história, junta família, amigos, cria momentos. Há muito amor envolvido”, diz.
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