Com apenas 17 anos, Malala Yousafzai foi galardoada com o prémio Nobel da Paz 2014 e tornou-se a mais jovem vencedora desta distinção. Não foi uma surpresa. Há anos que a jovem paquistanesa se tornou num ícone da paz mundial. Depois de uma tentativa de assassinato por parte dos talibã, em vez de silenciada a sua voz ganhou projecção. O “grande” prémio por fim chegou.
“Eu realmente acredito que a única maneira de podermos criar a paz mundial é não só através da educação das nossas mentes, mas dos nossos corações e nossas almas.”
São frases como esta que têm feito o mundo render-se à jovem activista que desde os 11 anos luta pelo direito universal à educação. E o reconhecimento tem surgido sob a forma de diferentes prémios e distinções.
Em 2013, venceu o Prémio Sakarov do Parlamento Europeu, uma espécie de Nobel para a Juventude, e foi o nome mais falado nas “apostas” para o Nobel da Paz. Acabou preterida a favor da Organização para a Proibição de Armas Químicas, que supervisionava então as operações de destruição do arsenal químico da Síria. Um ano depois, é-lhe feita esta derradeira distinção.
Malala “mostrou através do seu exemplo que crianças e jovens podem, também, contribuir para melhorar a sua própria situação. E fê-lo sob condições muito perigosas. Durante a sua luta heróica, tornou-se numa porta-voz fundamental para o direito das raparigas à educação”, justificou a Academia.
O atentado
“Eles apenas balearam um corpo, mas não podem balear os meus sonhos”.
Foi assim, que Malala se referiu ao atentado que sofreu em 2012, às mãos de um talibã. Das portas da morte passou ao estrelato activista e hoje a sua luta e a profundidade dos seus pensamentos são conhecidos em todo o mundo.
Malala começou a chamar a atenção por denunciar num blogue a proibição dos talibãs de que as meninas frequentassem a escola. Como represália, um extremista entrou no autocarro escolar onde a jovem seguia e baleou-a. Malala foi atingida por tiros na cabeça e no pescoço.
Sobreviveu e, num mundo onde 250 milhões de meninas não podem ir à escola, tornou-se um símbolo internacional do direito à educação, liberdade e autodeterminação no feminino.
Após o atentado, Malala mudou-se com os pais e dois irmãos – o pai, Ziauddin Yousafzai, é ele próprio um activista da educação – para Birmingham, na Inglaterra.
Foi aliás, nesse país europeu que foi tratada e se salvou da morte, tendo os médicos reparado o seu crânio com uma placa de titânio e ajudado a corrigir a perda auditiva que sofreu devido ao ataque.
Por altura do seu 16º aniversário, discursou nas Nações Unidas. “Um professor, um livro uma caneta, podem salvar o mundo”, disse, perante ovações.
Aos 17 chega a mais elevada distinção para os activistas da paz: o Nobel. Malala estava na escola quando o anúncio foi feito. Ouviu a boa-nova e continuou a assistir às aulas. Até porque, educação é o mais importante valor pelo qual se bate.
O outro vencedor
Malala não foi a única vencedora do Nobel da Paz deste ano. A Academia Nobel de Oslo decidiu também distinguir o activista indiano Kailash Satyarthi “pela sua luta contra a opressão de crianças e jovens e pelo direito de todas as crianças à educação”.
Satyarthi encabeça vários projectos ligados à defesa dos direitos das crianças, particularmente no que diz respeito à luta contra o trabalho infantil.
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