No próximo domingo, 30 de Julho, a Venezuela vai a votos. Desde, pelo menos, a eleição de Nicolás Maduro, em 2015 que o país tem estado em crispação, com períodos de maior ou menor gravidade de confrontos e um acentuar vertiginoso da violência nos últimos 3 meses.
O governo venezuelano iniciou, no passado fim-de-semana, mais uma ofensiva contra a oposição que, na semana passada, tinha nomeado um Supremo Tribunal paralelo com o objectivo de desafiar o poder de Maduro, relata o El País.
Segundo o mesmo jornal a primeira vítima desta ofensiva é o jurista e professor universitário Angel Zerpa Aponte, um dos 33 magistrados que foi nomeado pelo Parlamento venezuelano.
Pouco tempo depois de serem conhecidos os nomes dos magistrados o presidente venezuelano anunciou a sua vontade de deter “um a um” cada um dos membros que aceitaram fazer parte desse tribunal anunciado igualmente o congelamento de todos os bens e contas bancárias. E se o pensou assim o fez. Angel Aponte foi detido no sábado pela polícia política ao serviço de Nicolás Maduro.
Greve motiva corrida aos supermercados
Em protesto contra esta detenção, a oposição, liderada por Enrique Caprilles, anunciou, para hoje, escreve a Agência Lusa, uma greve geral de 48 horas.
Milhares de habitantes de Caracas, capital venezuelana, correram aos supermercados para se abastecerem de água, alimentos e velas, antes da nova greve geral, a que a oposição a Maduro chamou “Tomar Caracas”. A nova greve tem como objectivo exercer pressão social e política nas eleições para a Constituinte, que se realizam no próximo dia 30 de Julho, e com as quais Maduro quer reforçar os poderes do seu governo.
A própria embaixada dos Estados Unidos aconselhou que os seus cidadãos se abastecessem de água e comida durante as próximas 72 horas. E aconselham a que tal seja feito rapidamente, já que as lojas esvaziam-se a um ritmo acelerado, algumas já só têm snacks e refrigerantes. No supermercado Licarch, em Santa Mónica, por exemplo, a carne desapareceu em apenas três horas. Aliás, já antes havia pouca variedade de alimentos para comprar nos supermercados e o que há está sob o efeito da maior inflação do mundo, com preços proibitivos para muitos.
A semana de todas as decisões
“Esta é uma semana decisiva. Tem de ficar claro que Maduro e as Forças Armadas não permitirão que se imponha uma fraude constituinte contra o povo”, declarou Freddy Guevara, vice-presidente do Parlamento, citado pelo El Mundo.
O deputado declarou que a grande marcha prevista para a próxima sexta-feira tem como destino o Palácio presidencial de Miraflores.
Mais de 350 sindicatos juntaram-se, incluindo os mais importantes da Venezuela, como a Confederação Geral do Trabalhadores (CGT), juntaram-se à oposição. “A intenção é o fim deste Governo e convocar eleições”, relatou Norma Torres, da Frente de Trabalho.
‘Conspiração americana’
Entretanto, o Presidente da Venezuela exigiu na segunda-feira aos Estados Unidos, México e Colômbia explicações sobre o seu alegado envolvimento numa conspiração que os serviços secretos norte-americanos (CIA) estão a preparar para o derrubar.
“Exijo ao Presidente norte-americano [Donald] Trump que clarifique as insolentes palavras intervencionistas do director da CIA, que pensa ser o Governo mundial”, afirmou Nicolas Maduro, numa cerimónia militar.
O Presidente venezuelano acusou o director da CIA, Mike Pompeo, de ter feito saber que Washington “trabalha em colaboração directa” com as administrações mexicana e colombiana para “derrubar o Governo da Venezuela”.
O ministro dos Negócios Estrangeiros venezuelano, Samuel Moncada, publicou na conta na rede de mensagens instantâneas Twitter as declarações que, segundo ele, Pompeo fez numa entrevista no âmbito do fórum de segurança em Aspen (Estados Unidos), a 20 de Julho.
“Estive em Bogotá e no México há duas semanas, e evoquei precisamente este tema [da transição política na Venezuela], para os tentar ajudar a compreender o que podem fazer para obterem melhores resultados neste canto do mundo”, terá declarado o responsável da CIA, segundo um documento citado por Moncada.
“Exijo (...) do Governo mexicano e do Governo colombiano que clarifiquem estas declarações do director da CIA e que apliquem sanções políticas e diplomáticas à altura desta insolência”, disse Maduro.
A Venezuela iniciou uma semana decisiva, com a oposição a multiplicar as iniciativas para bloquear a eleição da Assembleia Constituinte, prevista para 30 de Julho.
“No próximo domingo, faça chuva, trovões ou relâmpagos, a Constituinte avança, pela vontade do povo”, afirmou o Presidente, que acusa os Estados Unidos de financiarem as manifestações contra o seu Governo.
Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 817 de 26 de Julho de 2017
homepage








