Obrador toma posse no sábado entre expectativas e receios

PorExpresso das Ilhas, Lusa,29 nov 2018 9:14

Andrés Manuel Lopez Obrador
Andrés Manuel Lopez Obrador

Andrés Manuel Lopez Obrador toma posse como Presidente do México, no sábado, debaixo de fortes expectativas no plano económico e no meio da turbulência dos problemas de refugiados.

A caravana com milhares de refugiados que se instalou nos arredores de Tijuana, para tentar atravessar a fronteira para os EUA, é um dos problemas principais que Andrés Manuel Lopez Obrador (conhecido pelas suas iniciais, AMLO) terá de enfrentar no início do mandato de seis anos que se inaugura no sábado.

O primeiro-ministro português, António Costa, será um dos vários chefes de governo e de Estado que fazem questão de assistir ao que o novo Presidente anuncia como sendo uma "nova e arrojada" etapa política do México.

Eleito com mais de 53% dos votos como candidato por uma coligação progressista de esquerda, AMLO prometeu fortes reformas económicas no México, a partir de um plano de investimento público, e maior igualdade social, com a duplicação do valor das pensões de reforma.

As medidas económicas são aplaudidas por uma parte importante da população, mas, de acordo com as sondagens, mesmo quem votou nele mostra-se menos confortável com a posição do novo Presidente perante o problema da imigração, em que AMLO parece ter uma posição muito conservadora.

Os críticos de Obrero comparam mesmo a sua posição com a de Donald Trump e recentemente apareceram cartazes a chamá-lo de "Juan Trump", quando conheceram as suas ideias para um plano de contenção de imigrantes vindos da América Central.

Os adversários recordam ainda o recente elogio que Donald Trump fez a AMLO, dizendo que o governo mexicano se estava a comportar muito bem, ao aceitar ficar com os refugiados no seu território, enquanto aguardam resposta aos pedidos de asilo, processos que podem demorar vários meses.

A resposta de AMLO a este clima de contestação na área da segurança surge no lado da economia, onde o novo governo (que já tem uma equipa de transição a funcionar, desde as eleições até à tomada de posse, no sábado) tem levado a referendo várias medidas de reforma.

No passado fim de semana, teve a aprovação popular para mais dez medidas, embora os críticos digam que a baixa participação (apenas 10% responderam ao referendo) não dá qualquer legitimidade a estas opções políticas, fazendo ainda referência à falta de informação sobre os assuntos referendados.

A eleição de AMLO acontece à terceira tentativa, depois de ter falhado as candidaturas em 2006 e 2012, e após ter abandonado o governo local da capital, Cidade do México, que liderou entre 2000 e 2005.

Das anteriores campanhas presidenciais e no seu plano para o mandato que agora começa, o novo Presidente preserva o combate à corrupção como uma das bandeiras mais populares, anunciando que terá tolerância zero perante casos suspeitos e dizendo que abrirá as portas a organizações internacionais para se instalarem e averiguarem casos de abusos.

A nível interno, AMLO tem ambiciosas metas para o combate à pobreza, aumento de pensões e alargamento do sistema de protecção social, que lhe valeu elogios de vários sectores sociais, mas é na área da energia que o novo Presidente quer fazer maiores reformas, procurando maior autonomia perante a hegemonia dos vizinhos Estados Unidos.

De resto, relação de AMLO com Donald Trump constitui uma das maiores incógnitas do início de mandato do novo Presidente do México, depois de ter aceitado várias condições do governo dos EUA sobre o comércio (na senda da renegociação do acordo de comércio da América do Norte) e não revelando ainda posições sobre algumas questões de política internacional.

Por outro lado, AMLO já deu indicações de que conta com um outro parceiro estratégico, para o desenvolvimento da economia mexicana: a China.

"Consigo ver-nos perfeitamente a abordar a China, para desenvolvimento de infraestruturas fundamentais, nomeadamente na área dos transportes", afirmou ao jornal Financial Times, recentemente, Gerardo Esquivel, conselheiro económico do Presidente.

O México quer, assim, estender para a região do canal do Panamá o conceito de Rota da Seda, o plano "Belt and Road" onde o governo chinês está a investir fortemente, através de criação de rotas comerciais privilegiadas, que AMLO elogia e de que gostaria de beneficiar.

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Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,29 nov 2018 9:14

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  19 ago 2019 23:22

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