Níger autoriza primeira manifestação em 5 anos contra tropas francesas

PorExpresso das Ilhas, Lusa,19 set 2022 14:14

Centenas de pessoas manifestaram-se hoje no Níger para protestar contra o aumento do custo de vida e exigir a retirada das tropas francesas, na primeira manifestação autorizada na capital nos últimos cinco anos.

O protesto, que foi marcado pelos slogans "Exército criminoso francês, sai", "Não ao aumento dos preços dos combustíveis" e "Não ao aumento do custo de vida", terminou sem incidentes e rodeado de um grande aparato de segurança, de acordo com a agência espanhola de notícias, a Efe.

A manifestação foi convocada pela M62 - composta por cerca de 15 organizações - cujo coordenador geral, Abdoulaye Seydou, exigiu a partida da força francesa, 'Barkhane', do território nigerino, considerando a presença destes militares "um ataque à soberania e [revelador do] desprezo pelo povo nigerino, ilustrado pelos múltiplos massacres da população civil".

Seydou acusou as tropas francesas de "desestabilização no Sahel" e disse que eram responsáveis por "um obstáculo à indispensável colaboração entre o Níger e o Mali na luta contra o terrorismo", escreve a agência Efe, citando o portal de notícias nigerino ActuNiger.

"Reafirmamos a nossa solidariedade e apoiamos o Mali na defesa da sua soberania", afirmou, na sequência do destacamento de tropas francesas para o Níger após a sua partida do Mali devido às tensões entre os países ocidentais e a junta militar instalada no país após o golpe de Estado de Agosto de 2020.

"Após uma década de luta contra o terrorismo, podemos facilmente ver que as forças francesas da 'Barkhane' treinam, equipam e coordenam organizações terroristas na área das três fronteiras, como denunciado por Bamako", a capital do Mali, defendeu, criticando a "submissão" das autoridades nigerinas a Paris.

Após criar a operação Barkane em 2014 para ajudar a combater o fundamentalismo islâmico no Mali, a França anunciou em 17 de Fevereiro a decisão de reorganizar o dispositivo "fora do território maliano" por concluir que as "condições políticas e operacionais não estavam reunidas" para se manter no país, segundo disse o Estado-maior em meados de agosto.

A presença militar no Sahel ficará reduzida a metade até ao final do ano, com 2.500 militares.

Paris diz há meses que não está a abandonar o combate contra o extremismo islâmico e que está a debater com os países do Sahel e do Golfo da Guiné a preparação de novas formas de intervenção.

O Presidente francês, Emmanuel Macron, disse em julho que "até ao outono vai repensar" a presença militar em África.

A operação Barkhane foi forçada a sair do Mali na sequência de desentendimentos com a junta militar no poder em Bamako desde 2020, que pôs fim à cooperação militar com a França e optou por se virar para a Rússia, através da empresa privada de mercenários Wagner.

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Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,19 set 2022 14:14

Editado porAndre Amaral  em  19 set 2022 14:35

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