Cortes em ajudas humanitárias podem aumentar migrações para a UE

PorExpresso das Ilhas, Lusa,24 jan 2026 9:39

Os cortes no investimento em ajuda humanitária, iniciados no ano passado pelos Estados Unidos e seguidos por outros países, podem desencadear novas migrações para a União Europeia (UE), alerta uma organização intergovernamental de apoio às políticas de migração.

A previsão é avançada num relatório sobre as tendências de migrações esperadas para este ano, divulgado pelo Centro Internacional para o Desenvolvimento de Políticas de Migração (ICMPD, na sigla em inglês).

"Os cortes na ajuda humanitária global e na ajuda aos refugiados -- que ascenderam a até 40% [relativamente ao ano anterior] -- estão a intensificar as pressões sobre as pessoas deslocadas e outros grupos vulneráveis nos países de origem e de acolhimento", aponta a organização que visa promover a cooperação internacional na área das políticas migratórias.

O ICMPD, com sede na Áustria, alerta ainda a Europa para as consequências de novas reduções nos apoios, explicando que isso deverá agravar as condições de vida nos países localizados na vizinhança da Europa ou ao longo de rotas migratórias estabelecidas e "desencadear movimentos primários ou secundários significativos em direção à UE".

Para esta região -- constituída sobretudo pelo norte de África -- a organização prevê que os países deixem de servir tanto como pontos de trânsito para se tornarem destinos de fluxos migratórios.

"É provável que sejam cada vez mais afetados pela migração induzida por conflitos proveniente de regiões da África Austral", avança.

Durante este ano, apontam as previsões do centro de apoio às políticas migratórias, os países norte-africanos deverão, "em estreita cooperação com a UE, concentrar-se não só em medidas de controlo, expulsões e políticas de retorno [de migrantes], mas também em iniciativas relacionadas com o desenvolvimento de competências e a mobilidade laboral" daqueles que têm a sua situação regularizada.

De acordo com a análise, "os Estados a norte e a sul do Mediterrâneo estão a formar uma região cada vez mais interligada, marcada por desafios e oportunidades partilhados" pelo que "ambas as partes terão de abordar de forma mais eficaz as causas profundas das deslocações e da migração irregular na África subsariana".

Além disso, a cooperação entre a UE e os países parceiros deverá aprofundar-se ainda mais nas áreas do desenvolvimento de competências e da mobilidade laboral, com vista a melhorar os percursos para a admissão de trabalhadores estrangeiros em ocupações qualificadas.

Constituído por 21 Estados-membros, entre os quais Portugal, o ICMPD apoia os governos no estabelecimento de sistemas de gestão migratória em mais de 90 países em todo o mundo.

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Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,24 jan 2026 9:39

Editado porEdisângela Tavares  em  24 jan 2026 13:46

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