Os quatro militares, um dos quais foragido, foram considerados culpados por desobediência a ordens, homicídio, violência contra mulheres grávidas, incêndios criminosos e destruição, de acordo com um comunicado dos advogados das vítimas divulgado pela imprensa local.
Durante a audiência, realizada na quinta-feira, o Tribunal Militar de Yaoundé, capital do país, condenou Haranga Gilbert e Tata Nfor [à revelia] a 10 anos de prisão, Baba Guida a oito anos e Lijado Cyrille a cinco anos.
Todos eles terão igualmente de pagar uma multa de 183.100 francos CFA (cerca de 280 euros) e enfrentarão uma pena de prisão por dívidas de seis meses, em caso de não pagamento.
Os condenados podem recorrer no prazo de 10 dias.
O julgamento começou há mais de seis anos, depois de um grupo de militares, juntamente com milícias mbororo (pastores nómadas da etnia fulani), ter atacado as aldeias de Ngarbuh I e III em 14 de Fevereiro de 2020 e assassinado mulheres grávidas, crianças e idosos.
Desde 2017, as regiões noroeste e sudoeste dos Camarões estão mergulhadas na violência devido a uma crise separatista entre grupos armados anglófonos e as forças armadas do Estado.
Embora, no país, o inglês e o francês sejam línguas cooficiais e coexistam com outras 250 línguas nativas, 20% da população é anglófona, uma minoria que se sente marginalizada e assimilada pelo Governo central francófono há décadas.
A crise atual começou em 2016 com manifestações e greves de professores e advogados que exigiam o uso igualitário do inglês nos tribunais e escolas e uma maior representação no Governo.
Em 2017, as tensões transformaram-se num conflito armado intensificado pela recusa do Governo do Presidente Paul Biya, no poder há quarenta anos, em considerar qualquer tipo de reivindicação.
Este conflito também exacerbou o que já existia anteriormente entre os fulani e os agricultores locais.
Foto: depositphotos
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