Intitulado "Liberdade no Mundo 2026: A Sombra Crescente da Autocracia", o relatório avaliou direitos políticos e liberdades cívicas em 195 países e 13 territórios, realçando a fragilidade das democracias e o reforço de regimes autoritários.
A Freedom House concluiu que, em 2025, 54 países registaram retrocessos nos direitos políticos e liberdades cívicas, enquanto apenas 35 melhoraram.
De acordo com esta avaliação , apenas 21% da população mundial vive em países considerados "livres", uma queda acentuada face aos 46% registados há 20 anos.
Além do agravamento da repressão por parte dos regimes autoritários, os maiores recuos foram motivados por golpes militares, violência contra manifestantes pacíficos e tentativas de enfraquecer garantias constitucionais.
Nos Estados Unidos, classificado como país "livre", a pontuação caiu três pontos, para 81 em 100, a maior descida entre as democracias analisadas, a par da Bulgária.
O relatório atribuiu o recuo a bloqueios políticos prolongados no Congresso norte-americano, ampliação de poderes executivos e intimidação crescente de vozes críticas, incluindo cidadãos estrangeiros.
A Freedom House, organização não-governamental norte-americana, referiu ainda um enfraquecimento das salvaguardas anticorrupção e conflitos de interesse na administração presidencial norte-americana, sublinhando que o país perdeu 12 pontos nas últimas duas décadas, o maior declínio entre o grupo de 88 "nações livres".
No Irão, classificado como "não livre", as condições pioraram em 2025, quando o regime prendeu mais de 21 mil pessoas em operações de repressão por suspeitas de espionagem e colaboração, na sequência do conflito de 12 dias com Israel, em junho, e expulsou mais de 1,8 milhões de migrantes e refugiados afegãos, referiu o relatório.
A pontuação do país caiu para 10 em 100, refletindo uma "repressão intensificada e desprezo pelos direitos básicos".
"Embora 2026 tenha trazido novas oportunidades para aqueles que vivem sob regimes autoritários, da Venezuela ao Irão, os últimos 20 anos têm sido um período sombrio para a liberdade a nível mundial", afirmou o diretor-executivo da Freedom House, Jamie Fly.
Entre os maiores avanços registados na 53.ª edição deste relatório figuram Síria, Sri Lanka, Bolívia e Gabão, enquanto Guiné-Bissau, Tanzânia, Burkina Faso e El Salvador tiveram as descidas mais acentuadas.
As melhores classificações voltaram a caber, respetivamente, à Finlândia (100), Suécia, Noruega e Nova Zelândia, com 99 pontos.
Portugal manteve 96 pontos em 100, igual à Estónia, Japão e Suíça.
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