"Estamos a viver um momento excepcional na história da região e na história da acção árabe conjunta, um momento que exige uma voz unificada e colectiva, e mensagens claras que não admitam interpretações erradas nem ambiguidades", declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros do Bahrein, Abdelatif bin Rashid, vincando a divisão política historicamente existente entre os diferentes Estados.
O chefe da diplomacia do Bahrein, que preside à 165.ª sessão ordinária do Conselho da Liga Árabe a nível ministerial, fez estas declarações no início da cimeira, reiterando a necessidade de unidade face aos "ataques iranianos" contra a "soberania" dos países do Golfo Pérsico.
Bin Rashid criticou também o facto de que os pretextos do Irão para realizar estes ataques foram "deliberadamente fabricados para turvar a situação" e simular que "parecem uma forma de confrontação com Israel".
"Outros já seguiram este caminho, e vimos como acabaram por destruir os seus próprios países, sem oferecer qualquer apoio tangível ou genuíno à causa palestiniana", acrescentou bin Rashid, referindo-se ao grupo xiita libanês Hezbollah e aos rebeldes huthis do Iémen, cujos ataques contra Israel foram respondidos com severidade.
Por este motivo, Bin Rashid exigiu "o cessar imediato dos ataques iranianos", bem como o fim do bloqueio do estreito de Ormuz, que está a colocar em dificuldades as economias árabes do Golfo, fortemente dependentes dos rendimentos da exportação de petróleo e gás natural.
"Respeitamos o direito dos Estados atacados de se defenderem, individual ou colectivamente", afirmou, apesar de, após um mês de ataques iranianos, nenhum país do Golfo ter feito qualquer intervenção militar contra o Irão, numa tentativa de não agravar ainda mais as tensões no Médio Oriente.
O Irão lançou centenas de ataques contra bases militares norte-americanas e infraestruturas vitais dos países árabes em resposta à guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel a 28 de Fevereiro, acções destinadas a pressionar as ricas nações do Golfo a exercerem influência sobre Washington para travar a agressão.
Foto: depositphotos.
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