A nova política, incluída na revisão anual do Livro Branco do Ministério da Unificação, abandona a ideia de pressão e confrontação que era seguida até agora.
O documento fixa como princípios para a nova política o respeito pelo sistema norte-coreano, a rejeição de uma unificação por absorção e a ausência de atos hostis contra o Norte.
"Considerando a realidade de que o Sul e o Norte existem de facto como dois Estados, procuramos desenvolver as relações intercoreanas no sentido de uma relação de coexistência pacífica orientada para a unificação", lê-se no documento.
Trata-se da primeira revisão da política sobre Pyongyang do atual Presidente, o democrata Lee Jae-myung, que marcou, assim, uma viragem substancial em relação ao antecessor, o conservador Yoon Suk-yeol, que dava prioridade à pressão.
A mudança coincide parcialmente com a posição do Norte, que há algum tempo defende a ideia de que as duas Coreias são Estados separados, uma abordagem já incorporada na Constituição norte-coreana, segundo a agência de notícias espanhola EFE.
Na última versão da Lei Fundamental de Pyongyang, contudo, foram eliminadas todas as referências à reunificação com o Sul, de acordo com o texto revisto pela agência de notícias sul-coreana Yonhap no início do mês.
Pyongyang classificou Seul como um "Estado hostil" em várias publicações dos meios de comunicação estatais e em declarações do respetivo líder, Kim Jong-un, embora tal designação não conste na Constituição revista.
Kim anunciou no domingo planos para modernizar as forças armadas e reforçar as unidades destacadas na fronteira com a Coreia do Sul para transformar a linha fronteiriça numa "fortaleza inexpugnável".
"Estamos a construir um exército poderoso", afirmou Kim durante uma reunião com comandantes de divisões e brigadas do Exército Popular da Coreia, citado pela agência oficial norte-coreana KCNA.
Apesar da postura conciliatória de Lee, que tomou posse em 04 de junho de 2025, Pyongyang continua a rejeitar o diálogo e a criticar duramente o objetivo de desnuclearização que permanece na agenda de Seul e de Washington.
Na nova versão do Livro Branco, o Governo de Seul reconheceu que as relações entre as duas Coreias continuam paralisadas, sem deslocações de pessoas no período 2021-2025 e sem comércio bilateral entre 2023 e 2025.
A publicação do documento surge, no entanto, em pleno decurso da primeira visita desportiva da Coreia do Norte ao Sul em oito anos, num evento que poderá servir para reduzir as tensões na região.
A equipa feminina norte-coreana Naegohyang FC chegou no domingo à Coreia do Sul para disputar, na quarta-feira, uma meia-final da Liga dos Campeões Feminina da Confederação Asiática de Futebol contra a formação sul-coreana Suwon FC.
Os dois países da Ásia oriental continuam tecnicamente em guerra desde o fim do conflito armado de três anos que terminou com um armistício em 1953, mas sem a assinatura de um tratado de paz.
Foto: dpeositphotos
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