"A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa [CPLP] tem sido um importante instrumento da política externa de todos os Estados-membros", começou por contextualizar Paulo Rangel, numa entrevista, por telefone, feita no âmbito dos 30 anos da organização.
"Evidentemente que o potencial é grande, ou seja, não está nem de perto, nem de longe, explorado todo o potencial. Nós, juntos, podemos fazer mais", realçou o governante.
Para o chefe da diplomacia portuguesa, a CPLP, enquanto organização regional unida por uma língua comum, tem uma "projeção internacional de futuro enorme".
Rangel salientou que, no final do século, chegar-se-á provavelmente aos 600 milhões de falantes de língua portuguesa e que esta é, talvez, a mais falada no hemisfério sul, o que reforça o potencial da comunidade.
"Acho que com essa importância demográfica, e também com a importância económica de muitos Estados da CPLP, que se vai reforçar ao longo deste século, chegar-se-á obviamente a uma visibilidade e uma influência bem maiores que aquelas que se tem hoje", reiterou, salientando, no entanto, que atualmente a CPLP é um "importantíssimo instrumento de afirmação".
Além disso, frisou, o número de observadores da CPLP tem sido aumentado, "o que é, talvez, a principal prova da importância crescente da comunidade, quando vista de fora".
Por seu turno, apesar de insistir que a organização "pode ir muito mais longe", ressalvou que "é evidente que uma organização como estas não vai agora substituir a União Africana ou a União Europeia, ou não vai substituir a Comunidade Ibero-Americana", pois "cada uma tem o seu lugar e enquadramento próprio".
Mas, por vários países fazerem parte de diversos blocos - União Europeia, União Africana, Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO), Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), entre outros - o governante considerou que essa presença "múltipla amplifica o papel e a influência da CPLP".
"Sinceramente, eu vejo o futuro com boas perspectivas, para não dizer muito boas perspectivas, embora reconheça que, apesar do muito que se fez, nós podemos fazer juntos muito mais", sublinhou.
Sobre os planos e acordos dentro da comunidade, Rangel declarou que têm sido feitos muitos progressos, particularmente com a mobilidade dentro da organização e pela valorização da língua.
Além disso, acrescentou que, a seu ver, existem iniciativas interessantes como o lançamento de uma licenciatura em saúde pública de base comum nos Estados-membros, anunciada pelo ministro na cimeira de Bissau de 2025 que, salientou, está "a avançar".
De forma geral, o ministro faz um balanço "francamente positivo" da organização ao longo destes 30 anos.
A CPLP, que celebra 30 anos dia 17 de julho, é constituída por Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste.
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