"Três anos após o golpe de Estado, a junta do Níger intensificou os seus ataques aos direitos humanos", disse a investigadora sobre o Sahel na HRW Ilaria Allegrozzi, num comunicado citado pela agência francesa de notícias, a France-Presse (AFP).
O Níger é governado, desde 26 de julho de 2023, por uma junta militar resultante de um golpe de Estado que derrubou o presidente eleito Mohamed Bazoum, detido desde então juntamente com a sua esposa, Hadiza.
A junta militar "estabeleceu um regime autoritário, desmantelou as instituições democráticas e intensificou a repressão", aponta-se no comunicado, que dá conta que, desde que chegou ao poder, o regime "consolidou poderes alargados e incontrolados, enfraquecendo sistematicamente as instituições capazes de exigir responsabilização às autoridades militares".
A ONG recorda as numerosas medidas repressivas tomadas pelos militares contra as liberdades e os direitos humanos, elencando a dissolução de partidos políticos e de sindicatos independentes, a suspensão de dezenas de organizações da sociedade civil, a detenção de jornalistas e a criminalização das relações homossexuais, entre outras.
Não há, acrescentam, "qualquer perspetiva de eleições democráticas", depois de a junta ter anunciado, em 2025, que iria ficar no poder pelo menos durante mais cinco anos.
No comunicado, a ONG criticou igualmente a saída do Níger do Tribunal Penal Internacional (TPI), considerando que isso "reflete uma vontade mais ampla da junta de restringir as possibilidades de responsabilização a nível regional e internacional".
Foto: depositphotos
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