Desde quinta-feira, a polícia registou o homicídio de quatro pessoas numa propriedade agrícola, a descoberta de dois corpos decapitados perto de uma estrada e outros três homicídios, incluindo o de um polícia, numa região que é o centro económico da Bolívia.
Segundo informações do Ministério do Interior boliviano, estes crimes foram cometidos por assassinos a soldo ligados às organizações criminosas rivais brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho, que estão a expandir a influência no país andino.
Estas organizações "estão a disputar um corredor através do qual os narcotraficantes transportam a droga para o estrangeiro", declarou à imprensa o ministro do Interior, Marco Antonio Oviedo.
Desde a tomada de posse, em novembro, do Governo do Presidente de centro-direita Rodrigo Paz, 17 chefes de organizações criminosas internacionais foram detidos e posteriormente expulsos do país, especificou.
Entre eles, figuram o narcotraficante uruguaio Sebastian Marset, detido em março e entregue aos Estados Unidos, bem como líderes de gangues criminosos brasileiros.
Segundo um balanço enviado à agência France-Presse (AFP) pelo Ministério do Interior, as autoridades apreenderam também 58 aviões ligeiros, mais de 360 bens imóveis, quase 300 toneladas de cocaína e marijuana, e destruíram 190 pistas de aterragem clandestinas.
Oviedo anunciou igualmente que a polícia brasileira irá abrir instalações na Bolívia para reforçar a cooperação no combate a estes grupos criminosos.
Cerca de 250 polícias foram mobilizados esta segunda-feira para a localidade fronteiriça de San Matías, que conta com cerca de 15.000 habitantes e onde ocorreu a maioria dos assassinatos, de acordo com os meios de comunicação locais.
A Bolívia é o terceiro maior produtor mundial de cocaína, segundo a ONU.
Foto: depositphotos
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