"Neste momento não temos qualquer negociação com os Estados Unidos", afirmou o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, em declarações aos jornalistas, insistindo na ideia que perdura desde quinta-feira.
"Enquanto não terminarem as violações do memorando de entendimento por parte dos Estados Unidos e Washington não compensar aquilo que violou, do nosso ponto de vista não existe possibilidade de retomar as negociações", acrescentou.
Ainda assim, Araghchi, citado pela agência noticiosa Tasnim, associada à Guarda Revolucionária (o exército ideológico do Irão), afirmou que os mediadores "continuam a tentar encontrar novamente formas de iniciar negociações".
O chefe da diplomacia iraniana referiu-se também às conversações com Omã destinadas a estabelecer uma nova rota marítima, que se encontram na fase final.
O ministro voltou a lembrar que o eventual acordo entre Teerão e Mascate não significaria, por si só, a reabertura do estreito de Ormuz.
"Isto não significa que o estreito de Ormuz vá ser aberto. O acordo pode ser alcançado, mas a reabertura do estreito de Ormuz está condicionada ao cumprimento de uma série de requisitos", ireiterou.
O ministro explicou que os especialistas estão a trabalhar na definição das novas rotas marítimas e que o acordo com Omã estabelecerá os percursos que deverão ser utilizados depois de cumpridas as condições necessárias para a reabertura do estreito ao tráfego marítimo.
No sábado, o secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional iraniano, Mohamad Baqer Zolgadr, apresentou uma lista de seis exigências que, segundo afirmou, os Estados Unidos devem cumprir antes de Teerão proceder à reabertura do tráfego marítimo no estreito de Ormuz, entre as quais o fim do bloqueio naval, o levantamento das sanções, a libertação dos ativos iranianos congelados e o pagamento de indemnizações de guerra.
O alto responsável da segurança iraniana exigiu ainda o fim das ameaças contra o Irão, a suspensão das operações militares contra o país e os seus aliados regionais no Líbano, Palestina, Iémen e Iraque, bem como a retirada das forças militares norte-americanas estacionadas em torno da República Islâmica.
O Irão anunciou em meados de julho um novo encerramento do estreito de Ormuz, por onde transitava, antes da guerra, 20% do petróleo mundial.
No contexto dos ataques cruzados com os Estados Unidos, Washington respondeu restabelecendo o bloqueio naval aos portos e navios iranianos, o que paralisou as negociações entre as duas partes no âmbito do memorando de entendimento para a paz assinado em 17 de junho.
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