Guineenses votam hoje nova Constituição proposta pelos militares

PorExpresso das Ilhas, Lusa,30 ago 2026 7:06

​Os cidadãos guineenses residentes no território nacional votam hoje num sufrágio decisivo para ratificar ou rejeitar a nova Constituição da República proposta ao país pelo Conselho Nacional de Transição (CNT) resultante do golpe de Estado ocorrido em Novembro passado.

Para este acto de consulta popular os cidadãos guineenses serão questionados se concordam ou não com a entrada em vigor da nova Constituição aprovada e promulgada em fevereiro.

De acordo com os dados do mais recente caderno eleitoral na posse da Comissão Nacional de Eleições (CNE), cerca de 914 mil guineenses estão habilitados a votar naquele que é o primeiro referendo popular desde que o país adotou a democracia pluralista no início dos anos 1990.

Os eleitores vão poder votar em 3.562 mesas de voto. As urnas abrem às 07:00 e encerram às 17:00, hora de Bissau.

Desde as 00:00 de sábado todas as fronteiras da Guiné-Bissau encontram-se encerradas até às 18:00 de hoje.

Durante o dia de hoje, a circulação de cidadãos em viaturas está também interditada das 07:00 até às 18:00.

O Presidente da transição, general Horta Inta-a, deve votar por volta das 10:00, numa mesa de um bairro de Bissau, e o primeiro-ministro, Ilídio Vieira Té, exerce o seu direito cívico à mesma hora em Biombo, no noroeste do país.

O processo de votação é gerido pela CNE.

Apelando à participação cívica no ato eleitoral, a presidente deste organismo, a juíza Carmem Lobo, advertiu numa comunicação dirigida aos eleitores que "não votar significa que a sua voz se perca na indiferença", exortando a população a dirigir-se às urnas "com o espírito de civismo".

Os militares protagonizaram um golpe de Estado um dia antes da publicação dos resultados de eleições legislativas e presidenciais, afastaram do poder o então Presidente eleito, Umaro Sissoco Embaló, e fizeram aprovar, no CNT, uma nova Constituição que reforça os poderes do chefe de Estado.

A oposição, que apelou ao boicote ao referendo, considerou que se tratou de um “golpe de Estado cerimonial” para permitir que Sissoco Embaló regresse ao poder através de novas eleições presidenciais e legislativas marcadas pelos militares para 06 de Dezembro.

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Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,30 ago 2026 7:06

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  30 ago 2026 10:42

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