Navi Pillay vence Nobel da Paz pela defesa dos direitos humanos e do direito internacional

PorExpresso das Ilhas, Agências,9 out 2026 8:28

A jurista sul-africana Navanethem “Navi” Pillay foi distinguida com o Prémio Nobel da Paz de 2026 pelos seus esforços para promover a paz e o direito internacional. Aos 85 anos, a antiga Alta-Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos tem uma carreira marcada pelo combate ao apartheid e pela participação em processos judiciais internacionais relacionados com genocídio e crimes contra a humanidade.

O Comité Nobel Norueguês anunciou a atribuição do prémio esta sexta-feira, 9 de Outubro, em Oslo, na Noruega. Segundo a agência Reuters, a distinção reconhece o contributo de Pillay para o fortalecimento do direito internacional e para a responsabilização dos autores de crimes graves.

Ao justificar a escolha, o Comité destacou a importância de um sistema jurídico internacional capaz de garantir que os responsáveis por crimes de guerra sejam julgados e que as vítimas de abusos tenham acesso à justiça. A organização sublinhou ainda que a resolução de conflitos sem recurso à força depende do respeito pelo direito internacional, num contexto de aumento das guerras e de pressão política sobre tribunais e instituições jurídicas.

Nascida a 23 de Setembro de 1941, em Durban, na África do Sul, Navi Pillay cresceu durante o regime do apartheid, marcado pela segregação racial e pela discriminação sistemática da população negra. Em 1967, tornou-se a primeira mulher negra a abrir um escritório de advocacia na então província de Natal, actual KwaZulu-Natal, dedicando parte da sua actividade à defesa de opositores políticos e de pessoas perseguidas pelas autoridades.

Segundo a agência Associated Press, a sua carreira jurídica ficou particularmente ligada à defesa dos direitos humanos e à construção de mecanismos internacionais de responsabilização por crimes cometidos em contextos de conflito.

Em 1995, Pillay foi nomeada juíza interina do Supremo Tribunal da África do Sul. Posteriormente, integrou o Tribunal Penal Internacional para o Ruanda, criado para julgar os responsáveis pelo genocídio de 1994. Entre 1999 e 2003, presidiu à instituição, tendo participado num período importante para o desenvolvimento do direito penal internacional.

Um dos processos marcantes da sua carreira foi o julgamento de Jean-Paul Akayesu, antigo dirigente local ruandês condenado por genocídio e crimes contra a humanidade. O caso contribuiu para estabelecer um precedente jurídico ao reconhecer que a violação e outras formas de violência sexual podem constituir actos de genocídio quando praticadas com a intenção de destruir, total ou parcialmente, um grupo protegido.

Entre 2008 e 2014, Navi Pillay exerceu o cargo de Alta-Comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos. Nesse período, esteve envolvida na promoção da protecção dos direitos fundamentais e na defesa da responsabilização por violações do direito internacional.

De acordo com a publicação Exame, a jurista também presidiu à Comissão Internacional Independente de Investigação das Nações Unidas sobre o Território Palestiniano Ocupado, entre 2021 e 2025, e tem estado ligada a iniciativas internacionais de investigação e responsabilização por alegados crimes graves.

A atribuição do Nobel da Paz a Navi Pillay coloca em destaque o papel das instituições judiciais internacionais na prevenção de conflitos, na defesa das vítimas e no combate à impunidade.

O prémio será entregue a 10 de Dezembro, em Oslo, data que assinala o aniversário da morte de Alfred Nobel, fundador dos galardões. Segundo a Reuters, a distinção tem um valor monetário de 12 milhões de coroas suecas.

Concorda? Discorda? Dê-nos a sua opinião. Comente ou partilhe este artigo.

Autoria:Expresso das Ilhas, Agências,9 out 2026 8:28

Editado porAndre Amaral  em  9 out 2026 9:36

pub
pub.

Últimas no site

    Últimas na secção

      Populares na secção

        Populares no site

          pub.