O primeiro petroleiro com gasóleo russo desde o início da invasão da Ucrânia está a caminho dos Estados Unidos, no âmbito de um controverso acordo entre Donald Trump e Vladimir Putin, confirmou hoje o Kremlin.
"O Ministério da Energia informou que o primeiro petroleiro já está a caminho dos seus destinatários", afirmou o porta-voz da Presidência russa, Dmitri Peskov.
O navio "Agioi Fanendes", de bandeira maltesa, carregou cerca de 300 mil barris de gasóleo no terminal petrolífero russo de Primorsk, no mar Báltico, e tem Nova Iorque como destino.
Segundo dados de acompanhamento marítimo da empresa Kpler, o petroleiro encontrava-se hoje ao largo de Helsínquia, na Finlândia, estando prevista a chegada aos Estados Unidos em 07 de Novembro.
A carga corresponde a aproximadamente 43 mil toneladas de combustível, segundo informações de acompanhamento marítimo citadas pela agência Bloomberg.
O envio constitui a primeira exportação de combustível refinado russo para os Estados Unidos desde o início da invasão em grande escala da Ucrânia, em Fevereiro de 2022.
A operação resulta de um acordo alcançado entre os presidentes norte-americano e russo, após uma conversa telefónica em 09 de outubro, que prevê o levantamento temporário de determinadas restrições financeiras e comerciais impostas à Rússia.
O entendimento deverá permitir a retoma das exportações de gasóleo russo para os Estados Unidos e outros mercados internacionais, pelo menos até Abril de 2027.
O vice-primeiro-ministro russo responsável pela Energia, Alexander Novak, afirmou anteriormente que Moscovo poderá vir a fornecer entre três e 3,5 milhões de toneladas de gasóleo aos mercados internacionais.
Segundo Novak, o primeiro carregamento será seguido de outros envios regulares, incluindo para países que anteriormente importavam combustível russo.
O acordo procura conter a subida dos preços dos combustíveis, agravada pela guerra iniciada em fevereiro no Médio Oriente entre Israel, Estados Unidos e Irão, que provocou perturbações no abastecimento energético mundial.
O Governo do Presidente norte-americano, Donald Trump, pretende reduzir os preços do gasóleo antes das eleições intercalares de 03 de novembro, num contexto de crescente descontentamento com o custo de vida.
O gasóleo é particularmente importante para os setores dos transportes, agricultura e distribuição de mercadorias, pelo que o aumento do seu preço contribui para agravar a inflação.
O acordo com Moscovo foi, contudo, duramente criticado pelo Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e por vários aliados europeus de Washington.
Zelensky classificou o entendimento como "fraco" e "indigno", considerando que permitirá à Rússia obter receitas adicionais para financiar a guerra contra a Ucrânia.
Trump defendeu o acordo, afirmando ter tomado "a decisão certa para o povo americano", e acusou os europeus de "hipocrisia" por continuarem a importar hidrocarbonetos russos após o início da invasão.
O Presidente norte-americano também criticou repetidamente os ataques ucranianos contra refinarias russas, considerando que contribuem para a escassez de combustível e para a subida dos preços internacionais.
Estas divergências provocaram um novo agravamento das relações entre Kyiv e Washington.
homepage







