Terrer: Corda de Sisal

PorJoão Chantre,15 jun 2012 23:00


"Más instituições perturbam a cidade, empobreçam-na, liquidam-na. Instituições e pessoas des­qualificadas produzem cidades difíceis e injustas. Empresas sem incentivo, enfrentando instituições desfavoráveis às suas iniciativas, significam, sem retorno, cidades definhadas, cidades em perda". Que Deus abençoe Ernâni Rodrigues Lopes lá onde estiver, pelas contribuições que deixou à ciência económica.

 

Os Cordas do Sol, "desabaram" das montanhas do verdejante vale do Paúl, um dos mais encanta­dores das ilhas deste arquipéla­go, com um combinado de mar, história e agricultura. Foram cantar e encantar as gentes do mundo, no Centro Histórico de Macau, com a música e a língua de "sintanton" interpretada na voz de Seuzani que produz uma espécie de ritmos quentes combinado com uma doçura corporal que se enquadra na filosofia oriental, fundamental para renovar o estado de espí­rito e da alma e criar apetites fisiológico devastadoras.

Cantar na língua de "sintan­ton" no centro emblemático de Macau, a 13.645 km do seu habitat, em frente ao Leal Senado, comparado a uma espécie de Câmara Municipal em outras paragens, onde tra­balhou o Engº Mateus Lima que foi um dos fundadores do Liceu de Macau em 1893, acomulando as funções de professor de Matemática e Físico-química no Liceu de Macau e membro do conselho legis­lativo do Leal Senado. Mateus Lima era natural da Ribeira da Torre, Longueira, fez o curso de engenharia no politécnico de Lisboa e pós-graduação na prestigiada "École Nationale des Ponts et Chaussée de Paris", em 1892, e acabou por morrer em Macau como macaense por não ter familiares residentes no território. Lá onde Mateus Lima trabalhou, os Cordas do Sol e a voz de Seuzani encan­taram com o seu ritmo quente milhares de pessoas que por ali passam, numa das maravi­lhas de Portugal no mundo. O centro histórico de Macau, que constitui o testemunho vivo da grande diversidade cultural da cidade onde se desenrolou um processo único de miscigena­ção, o que resultou no apareci­mento da cultura, do pátua, um género do nosso crioulo "pro­duzido" na Ásia. O encontro harmonioso entre essas duas grandes culturas (a ocidental e o oriental) deu origem a um estilo arquitectónico raro no mundo, considerado o mais antigo legado europeu existente na Ásia, destacando entre eles: o edifício do Leal Senado pintado de branco; o edifício dos Correios de Macau, pintado a cinzento; o edíficio da Direcção Geral dos Serviços de Turismo, pintado a amarelo queimado; a Santa Casa de Misericórdia de Macau, todo caiado de branco, todos do séc. XIX e a Igreja de Santo Agostinho (Long Song Miu), inicialmente construída de madeira e palha em 1591. Para quem tenha dúvidas, eis um exemplo acabado de como a preservação do património arquitectónico ajuda a construir a história, valoriza com o tempo e produz riqueza a longo prazo. Devemos seguir o exemplo e edificar, por exemplo, no centro de terrer, na cidade da Ribeira Grande, um museu dedicado à vida e obra de Roberto Duarte Silva (ilustre químico natural de Santo Antão).

Desviar deste objectivo é andar no sentido contrário da auto-estrada do desenvolvi­mento.

Havendo personalidades ilustres da ilha das montanhas que trabalharam no pequeno e poderoso território de Macau, não será difícil conseguir uma cooperação com uma institui­ção que financiasse um museu de valor estratégico para a ilha e que ligaria com uma corda de sisal, eternamente, o nome de Macau, cidade do Santo Nome de Deus de Macau, às ilhas de Cabo Verde. No pequeno e poderoso território, cujas re­ceitas provenientes dos casinos atingiram 34 bilhões de USD em 2011, seis vezes mais do que a emblemática cidade de Las Vegas e onde nos últimos anos tem sido hábito creditar a cada cidadão residente um valor simbólico de 600 USD, directamente na sua conta pes­soal (600x500.000=300.000.000 USD). E com este exemplo fica esclarecido o conceito de super-avit que se ouviu falar por estas ilhas acerca do resultado de uma empresa. Há que ter res­ponsabilidade no que se diz.

Mais uma vez fica assente que o futuro da Diplomacia Caboverdiana para além da sua vertente política passa em parte por uma Diplomacia Económi­ca e Cultural. Já há experiências interessantes na Europa (em cidades como Bruxelas, Lisboa, Londres e Paris) que provam o quão, neste momento, a nossa música e a nossa dança são apreciadas. Tem havido uma procura muito grande da nossa música, do nosso ritmo e da nossa forma de dançar. Com a crise que assola a Europa, o nosso ritmo e a nossa forma de dançar passou a ser uma das ferramentas fundamentais para uma terapia sã e a sensualidade quando os corpos se encontram quando se dança a música caboverdiana faz aumentar a temperatura, cria um ambiente de alegria e aproxima as pessoas tristes e isoladas, de tal forma que adia e, por vezes, ajuda a combater os males da socie­dade. Aliar isso à criação de pontos de visita para os turistas ou a conservação dos existentes só trará benefícios para estas paragens (museu, conservação dos monumentos, marcação de caminhos).

É fundamental perceber este fenómeno e aproveitar as opor­tunidades que vão surgindo pontualmente. Contrariamente ao que muitos pensam, ven­der é uma arte e quem vende precisa ser ousado, paciente, persistente e procurar as opor­tunidades lá onde estiverem. Deixa sonhar quem tem so­nhos. It's time...

João Chantre

Normal 0 21 false false false PT X-NONE X-NONE MicrosoftInternetExplorer4
Concorda? Discorda? Dê-nos a sua opinião. Comente ou partilhe este artigo.

Autoria:João Chantre,15 jun 2012 23:00

Editado porAlexis Cardoso  em  15 jan 2013 23:19

pub.
pub
pub.

Últimas no site

    Últimas na secção

      Populares na secção

        Populares no site

          pub.