Terrer: Reveillon, Turismo & Economia

PorJoão Chantre,11 jan 2013 23:00

Reveillon

Segundo a Wikipedia, tecnicamente, o primeiro lugar provavelmente a celebrar o reveillon/passagem de ano fica situado na linha Internacional de Data (LID) que passa pelo Oceano Pacífico, um pouco a Oeste do Hawai. O Hawai foi, portanto, um dos últimos lugares a celebrar o ano novo, sendo o primeiro lugar, provavelmente a Antárctica.

Em termos genéricos podemos dizer que a passagem de ano é tempo de festa, alegria, paz e muito consumo, tanto a nível interno como internacionalmente. Em todo o território nacional, sobretudo nos centros urbanos de maior concentração populacional, Praia & Mindelo, a festa começou praticamente no dia 21 de Dezembro de 2012 e só terminou no dia 1 de Janeiro de 2013.

Na Capital

Da capital do país de onde partimos, a animação era grande. Foi dada uma atenção especial à decoração dos bairros e do centro da cidade, com o coração da cidade bem iluminada, bem vestida e bem perfumada.

Inteligentemente, desta vez, optou-se por vigiar a cidade com vídeos vigilância colocados no cimo das zonas estratégicos de luxo: Tchada Grande, Brasil e Monte Babosa. Coube a esses montes e o ilhéu de Santa Maria a grande tarefa de vigiar e proteger a urbe. Disseram-me os amigos, que na Gamboa foi colocado um palco com música ao vivo, que passou a ser visto como o Coronel mais respeitado da capital, digno e devidamente preparado para impor a paz. Pois, a música e os seus intérpretes quando sobem ao palco transmitem mensagens carregadas de poesia, amor, nostalgia, saudade e veracidade genuína. Só os ritmos quentes destas ilhas unem os jovens e faz-lhes reflectir. Vale ou não vale. Dá-lhes música, dá-lhes cultura, dá-lhes desporto em troca de uma colheita rica de talentos e uma economia da felicidade...partilha.

Normalmente, trata-se de uma época do ano propensa às grandes paródias e um consumismo exagerado. Na capital, para esta época do ano, a vida cultural começou bem cedo com destaque para o espaço Palkus com um estilo mais clássico e restrito. O Quintal da Música virado para o segmento mais turístico com a voz cativante de Albertino Évora e o espaço K, coroado como Espaço emblemático num estilo cosmopolita e universal, destinado a todos os gostos e onde se comunica em crioulo, português, inglês, francês e por vezes em chinês. Mas o grande destaque vai para o espectáculo das criancinhas e dos adolescentes no Auditório Nacional, no dia 27 de Dezembro de 2012. A Coreógrafa, Nicole Barros & Patners, dasafia tudo e todos e com a sua "Dança das Nações" fez o público unanimamente, comentar: também temos isto em Cabo Verde! Um autêntico banho de Cultura. Choveu criancinhas, emoções, muita criatividade e sobretudo muito trabalho por detrás. "Sou/serei engenheira civil para o meu sustento, mas a minha vida é isto, a Cultura. Não tenho alternativa é este o caminho que escolhi". "É a coisa mais fantástica que já vi em Cabo Verde depois do Carnaval", chutou um Diplomata, sentado ao meu lado. Os private parties abundaram pela cidade mas como "The gods must be crazy", não existe. Uma dose de criatividade, charme e gosto, bem concebido para receber os amigos. Uma dose reforçada da natureza pura, purificando a alma das gentes que lá estiverem com a brisa marítima, o mar azul e contemplando um espaço concebido com simplicidade, gosto e charme, rodeado de "tchon seco e floresta seca". Afinal, a qualidade até pode ser estudada, mas a qualidade está sobretudo na mente das pessoas...Um produto vendável em qualquer parte do mundo. "Time to live"...

Na ponte aérea, Praia-Mindelo-Praia, devido à pressão do tráfego, finalmente foi disponibilizada oferta suficiente e estimulou-se uma procura elevada, jamais vista, um fenómeno que ocorre normalmente nas épocas de pico, como aconteceu, mas que nunca foi dado o tratamento adequado por inércia dos decisores dos mercados. A partir de agora tudo será mais fácil. Gentes das ilhas vão passar a comemorar os grandes eventos, na cidade dos eventos, numa ilha onde respira liberdade e criatividade. A cidade do Mindelo foi oxigenada com alegria, perfumada com o cheiro do mar, musicada pelos nossos conjuntos/artistas e abençoada com a mão do tesouro do mundo, o turismo, em direcção à ilha do sonho, mas com paragem obrigatória na ilha do Monte Cara.

Turismo - Ecoturismo & Natureza

Quando em 2001 metemo-nos na grande aventura de percorrermos quilómetros de estradas, vias ferroviárias e pássaros voadores de pequeno porte para vender Cabo Verde, encontramos muito pouco apoio, fomos muitos criticados e apelidados de sonhadores. Só vende quem tem criatividade e persistência. "O tempo esclarece as dúvidas", velho ditado chinês...

Em busca da salvação, evocamos a a base da filosofia, a mãe de todas as ciências, mas porquê, porquê, mas porquê tantos porquês!!!! Dizia um amigo, a verdade cedo de mais é a mesma coisa do que inverdade. Lá em baixo tudo é mais difícil, a muralha bloqueadora é enorme e a máquina burocrática pesa 500 toneladas, peso suficiente para destruir qualquer projecto/sonho. Verdade seja dita, por vezes, com ajuda dos representantes do Estado fora do país e, os mais sensíveis, clandestinamente, pode-se, eventualmente, conseguir algum resultado. Que "tirrinha mazinha mas sabim...".

Anos depois, ainda na sombra da clandestinidade vê-se o resultado desse investimento. Hoje, é agradável e presível ver grupos de turistas nos grandes centros urbanos destas ilhas de passagem para a ilha do sonho e a ilha do Vulcão. No voo VR 6012, Praia-Mindelo do dia 29 de Dezembro de 2012, com 212 passageiros a bordo do B757-200 da Companhia aérea nacional, ao chegarmos ao Aeroporto Internacional Cesária Évora encontramos um agente do operador turístico VV. Situado no coração do Mindelo, silenciosamente recebe, turistas alemãs, franceses, suíços e austríacos -"Viemos buscar três grupos de quinze, vão passar uma noite em Mindelo e depois seguem para a ilha do sonho". Se conseguirmos as outras confirmações receberemos mais grupos. A quem começa a acreditar que o empreendedorismo só é possível se os actores esconderem, não derem nas vistas e chorar todo o tempo, cau stá mau...cau stá mau...Uma escola incompatível, com a escola moderna do desenvolvimento e do sucesso.

No Mindelo

O pite na Baia, os fogos de artifício que iluminou a vistosa Baía do Porto Grande e as centenas de iates ali estacionados, fez acordar o Monte Cara e fez tremer a Praia da Gamboa na capital. O baile de conjunto na Rua de Lisboa e o espectáculo de música na Gamboa, são decisões/acções felizes, traz alegria e paz às urbes e são tidas como ferramentas fundamentais para atrair o turismo (interno e estrangeiro). A ideia é brilhante, o futuro vai aperfeiçoar o produto e a dose acertada de marketing nos mercados emissores vai atrair milhares de turistas para visitar as nossas ilhas nesta época do ano. A nossa música quente e doce com variedade instrumental, a tempratura amena que se faz sentir nesta época do ano, a simpatia e o calor das pessoas, fará dessas ilhas uma grande opção para as festas de reveillon deste mundo global à procura de divertimento e turismo. Essa tarefa cabe a todos os cabo-verdianos, da ilha do Sonho à ilha das Flores. Cada um de nós é um agente de venda, uma palavrinha, um sorriso aos nossos turistas é o slogan adequado. Felizmente água mole em pedra dura, tanto bate até que fura...

O primeiro de Janeiro arrancou com as Shuka-yaya, a força feminina Mindelense que anima a multidão à saída das festas, concentrada na Praça Nova, agradecendo a Deus e distribuindo abraços e espalhando beijos e chutando os mais bonitos adjectivos positivos que José Maria Relva pode criar e que se enquadra perfeitamente na filosofia de Oscar Niemeyer: "A vida é um sopro, portanto é preciso aproveitá-la". As reacções musculares daquelas que passaram a produzir sons com paus e tambores, comparadas apenas com os ninjas nas suas orquestrações de correcção, prova o quão as nossas mulheres podem ser mansinhas ou mazinhas em função da quantidade de amor que lhes foram injectadas ou extraídas/negadas...Espalhe-lhes amor para que possam espalhar pau e produzir sons...No fundo elas merecem...

A Economia Virtual & o Entertaiment

O dinheiro virtual chegou para vencer e prova o quão as TICs, a engenharia inovadora, revoluciou o mundo e está a revolucionar o mundo financeiro dessas ilhas, desde que o sector seja re-pensado e houver coragem suficiente para eliminar os mil-pés de uma área onde se deve respirar liberdade e criatividade. Faz sentido uma boa regulação e um controlo adequado e transparente e recomenda-se como sistema adequado para fazer florir uma indústria que só se compara com a indústria aeronáutica - uma indústria bem regulamentada internacionalmente, complexa, cara e luxuosa.

Dados oficiais publicados na comunicação social mostram que de 1 de Dezembro de 2012 até 30 de Dezembro de 2012 foram transaccionados com cartões Vint4 cerca de um milhão e setecentos mil contos (mais precisamente 1.710.452.869) em pagamentos, com um acréscimo de 15% com relação ao período homologo de 2011 e levantados dois milhões, oitocentos e sessenta e seis mil contos (mais precisamente, 2.866.093.059) em levantamentos, correspondente a um crescimento de 3% quando comparados com o período homologo de 2011.

No que tange o segmento turístico e outros serviços, quantificados hipoteticamente pelo o uso dos cartões de créditos, nomeadamente o Visa e o MasterCard, a leitura é a seguinte:
1. Durante o ano 2012, o Visa foi o cartão mais usado em Cabo Verde e entre levantamentos e pagamentos a Economia cabo-verdiana encaixou um montante equivalente a 3.109.062.373 (cerca de 3 milhões e cem mil contos CVE) maioritariamente no sector dos serviços e outros.
2. O MasterCard, o segundo cartão de crétito com maior penetração no nosso país, em 2012, entre pagamentos e levantamentos deixou na nossa Economia, no sector dos serviços e outros, o valor equivalente a 676.744.033 (cerca de seiscentos e oitenta mil contos caboverdianos).

Enquanto o Icon do entertaiment em Mindelo, TL desfilava no seu Nissan descapotável, de cor amarela, a cor do sexo na mitologia chinesa, o seu emblemático estabelecimento, o Caravela, facturava à velocidade de cruzeiro e a um ritmo de quase 20 horas por dia. Mais abaixo VP & Partners, no Ponto de Água, não parava, controlando as lojas e preparando a grande festa do reveillon. As boutiques vestiram as montras e durante alguns dias sentiram, bem forte, o cheiro do dinheiro. O comércio, nomeadamente o alimentar e as padarias estiveram sempre atarefadas e as agências dos principais Bancos da ilha completamento congestionadas.
2013

Tudo iniciou e acabou, quando a banda Municipal saiu com o seu ritmo típico para despertar as gentes do Mindelo e anunciar as boas vindas ao ano 2013. O ritmo espalhou alegria e o tsunami de gente saída das festas abraçou-se e beijou-se. Mindelo é isto, num ano em que se recomenda algum cuidado nos gastos das famílias e dos indivíduos e como regra da boa saúde financeira, receita-se: em cada dolar gasto, ao menos, 30c de poupança. Chegou 2013. O Carnaval bate à porta e brevemente o Spring Break 2013, o Turismo Universtário dos EUA, preparado cladestinamente para que tudo dê certo. It´s time...


                                                                                                                                                       João Chantre

 

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Autoria:João Chantre,11 jan 2013 23:00

Editado porSara Almeida  em  19 jan 2013 12:14

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