A grande Nação

Porjoão chantre,27 mar 2013 17:07

“Sem uma língua comum não se pode concluir negócios”. Confúcio

 Hoje, mais do que nunca, começo por acreditar que afinal muitos dos países que formam esta grande aldeia global não são independentes. Por mais que queiramos justificar e aceitar que somos independentes, afinal não somos tão independentes como pensamos.


O Império Português no Mundo - Motivação Económica

Conhecer a história do império português significa conhecer também a história de diversos povos, pois, a partir do século XV, os portugueses iniciaram um processo expansionista em busca de mercadorias para serem comercializadas na Europa.

Por isso, estabeleceram rotas de comércio, fundaram feitorias e colónias na África, Ásia, e na América, expandindo não só a economia europeia, mas também levando o cristianismo/cultura portuguesa para o restante do mundo.

Reza ainda a história que no ano de 1415, com a conquista de Ceuta (Marrocos), deu-se início à formação do império português e somente em 1999, com a incorporação de Macau pela China, é que esse vasto império terminou.

Não há como negar a nossa história, por isso é razoável aceitar que o império português deixou muitas heranças, entre as quais o facto de que hoje em dia mais de 250 milhões de pessoas falam a língua portuguesa em todo o mundo.


A história repete-se, daí a necessidade de estar atento as mutações económicas

O mar que nos separa é o mar que nos une…

O mar que nos separa é o mar que nos deu a riqueza que somos hoje vários povos, uma Nação, a grande Nação Lusófona…

A crise que assolou Portugal/Europa veio provar que o mundo está em constante mutação. O importante é acompanhar e adapta-se às mutações. Para os mais atentos, sabemos que se não fossem os chineses via Macau, com os avultosos investimentos na EDP e outros ramos da economia produtiva, com a Isabel dos Santos considerada a quinta mulher mais rica/poderosa de África, com investimentos na PT, na Banca (BPI/BIC), na Galp e a Petrolífera Sonangol com um vastíssimo portfolio de investimentos no capital do Império, a crise em Portugal/Europa seria mais acentuada. É hoje frequente ver, na zona baixa pombalina lisboeta, uma zona transformada numa autêntica praça cultural da CPLP, lojas a serem assaltadas por angolanos e brasileiros, ao som do Samba, do Kuduro, da Morna e da Coladeira, animados e eufóricos a quererem comprar tudo o que de bom as lojas podem oferecer. Na zona do Benfica, no Colombo, é frequente encontrar muitos cabo-verdianos a comprarem tudo o que a terra não oferece e que pode ser transportado pelo pássaro. É o consumismo a chamar os povos irmãos à capital da “metrópole”.

Hoje, a opinião é unânime, principalmente por aqueles que viveram/vivem, estudarão/estudam,em Lisboa. Lisboaé hoje uma cidade aberta ao mundo, uma cidade bonita (top 10 mundial), rica em história e arquitectura e onde se comunica na linguagem universal: o futebol e a música. Por isso é a cidade mais cantada nas mornas e coladeiras cabo-verdianas depois de Mindelo. É a chamada à prosperidade Económica a falar mais alto do que a Austeridade.

Felizmente e rapidamente os portugueses perceberam que desta vez os irmãos do continente negro não vieram como emigrantes à procura de melhorar a vida, mas sim como turistas e homens de negócio.

Paradoxalmente, vê-se hoje, várias espécies de pássaros cada vez mais sofisticados, cruzando os céus deste mundo, em direcção aos países irmãos do Sul, curiosamente os mares que os colonos arduamente cruzaram no século XV, depois de devastar a sua floresta para investir na marinha mercante. Hoje, é frequente ver portugueses desem-barcando nos nossos aeroportos à procura de melhores condições de vida, repondo e dando continuidade à história renovando o stock dos mulatos – o testemunho vivo do encontro dos povos na geometria horizontal e não só. Já ninguém tem dúvida que o futuro do mundo será cada vez mais mestiço.


A Grande Nação Lusófona, a grande família, a grande esperança

É nossa convicção de que Portugal, como nós, nunca foi um pais independente. Depois de perder o grande império, tiveram a sorte de terem, em substituição, uma União Europeia, com fundos de financiamento para tudo, ao ponto de pensarem que as fontes eram inesgotáveis. Durante três décadas, ignoraram os princípios básicos da Ciência Económica, menosprezaram o valor do rigor orçamental, optaram por Investimentos Públicos astronómicos, dos quais muitos sem sustentabilidade. A Europa está mergulha-da numa das suas maiores crises de sempre e a Austeridade bateu à porta. Não vale a pena adiá-la, ela hoje é um facto e por isso é importante combatê-la. Na história Económica das nações há sempre uma (s) geração (ôes) sacrificada (s).

Chegou a hora de mudar de paradigma por forma a encontrar soluções credíveis. “Com o tempo mudam-se os ventos e as vontades”. Por isso é natural que o centro da gravidade esteja do outro lado do Atlântico. Creio que não há forma de o contornar, temos que reconhecer o papel do Brasil e do Atlântico Norte neste processo de rea-grupamento da grande Nação, a família Lusófona.

Hoje, o Brasil faz parte do grupo BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) países emergentes; é considerada a sexta economia do mundo e a segunda do continente Americano depois dos Estados Unidos. E segundo previsões do FMI, em 2050 o Brasil será a quarta economia mundial.

Com uma população estimado em 190 milhões de pessoas, conta com um PIB nominal avaliado em US 2.48 trilhões e um PIB per capita estimado em USD 12.789. Só a região metropolitana de São Paulo tem o mesmo números de habitantes que Portugal, 11 milhões e é considerado o Estado mais rico do Brasil. A sua dimensão Económica é considerada superior a muitas Economias Europeias.

No Sul do continente negro, encontra-se a República Popular de Angola. Com uma população estimada em 18 milhões de habitantes, conta com um PIB nominal que ronda os US 69.710 bilhões e um PIB per capita calculado em US 6.000. Um país de futuro.

Ora, chegou a vez do Brasil assumir o comando de uma “Grande Nação” unida em torno da CPLP que tem tudo para dar certo e pode ser uma das zonas Económicas de maior dinâmica do planeta. Estrategicamente todos os países que compõem a grande “Nação Lusófona” estão enquadrados em protocolos/acordos regionais e que dão acesso a um vastíssimo mercado. Se não vejamos: Brasil ao Merconsul, Portugal à União Europeia, Angola e Moçambique no SADEC, Cabo Verde e a Guiné- Bissau na CEDEAO e, se quisermos, Macau na China e ASEAN e Timor brevemente no ASEAN.

Em suma, não se pode negar a importância estratégica desta grande família a nível mundial e que preocupa outros blocos por razões obvias. A forma está definida, resta a vontade política. Como nem tudo pode funcionar com a bênção dos políticos, cremos que a Cultura poderá ser o motor desse projecto adiado e que tem tudo para dar certo. Sendo o futuro do mundo uma grande incógnita, olhando o horizonte, abre-se um pensa-mento: “Dançar é estar vivo. Estar vivo é viver hoje”…It’s time…

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Autoria:joão chantre,27 mar 2013 17:07

Editado porrendy santos  em  19 jul 2018 15:50

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