Como Mindelo poderá re-conquistar o Mundo

PorJoão Chantre,16 nov 2013 0:18

 A história Económica do Mindelo

 Reza a história que em Mindelo existiu uma estação de carvão durante “the steam navigation” montada e explorada pelos Ingleses. Por isso, Mindelo nasceu do mar, como uma cidade cosmopolita, um género de capital económica destas ilhas, um centro de atração de emprego, onde afunilavam gentes destas ilhas e do mundo. Consta que a companhia Rendall estabeleceu no Mindelo devido a sua rota marítima, da Europa, África do Sul, Índia, Austrália, África e as Américas. Porém, consta ainda nos registos históricos que em 1875, a firma «Cory Brothers» baixou os preços do carvão o que fez aumentar o movimento dos navios, atingindo 669 no  ano de 1879. Com a actividade económica no Porto Grande do Mindelo, este atrai a atenção dos países vizinhos, e Senegal e as Canárias avançaram na construção dos seus portos, tornando-se assim os mais directos concorrentes da ilha do Monte Cara.  Com abertura de portos nos países vizinhos, a actividade portuária estagnou-se em Mindelo mas o movimento na zona cresceu para 2.000 navios por ano no séc. XX. Em 1952, o campo do carvão foi desmantelado tendo em conta que os barcos passaram a ser abastecidos por gasóleo.

Em 1885, o posicionamento estratégico das ilhas de Cabo Verde, a excelente infraestrutura portuária existente, vistosa e apelativa baia do Porto Grande do Mindelo como uma infraestrutura moderna,  fez de Mindelo uma estação importante para a passagem de cabos telégrafos em 1912. Com isso Mindelo tornaria uma importante hub de telecomunicações no mundo. E em 2003, Mindelo é declarada capital cultural das ilhas.

 

A estagnação Económica do Mindelo

 

A forte aposta no desenvolvimento económico dos países vizinhos na economia marítima, nomeadamente o Senegal e as ilhas Canárias e o desinvestimento de Cabo Verde neste sector logo após a nossa independência, contribui enormemente para a queda daquela que foi um dos motores da economia cabo-verdiana. Hoje, Mindelo vive uma das mais profundas crises económica desde a sua fundação. Com uma economia e uma urbe nascida e virada para mar, agora resta-lhe olhar para o céu para complementar o que neste momento só o mar não traz as soluções de curto prazo, mas sim, as de longo prazo, sem dúvida, chegaram pelo mar. Com uma taxa de desemprego que ronda os 23% , Mindelo vive neste momento a mais elevada taxa de desemprego do país, um drama social que compete a todos nós uma solução imediata.

 

A história repete-se

 

É digno de menção, o excelente trabalho da ENAPOR na aposta e promoção do turismo de cruzeiros. Quem promove sabe que a promoção de um destino Turístico dura no mínimo uma década antes de começar a colher frutos, e requer um investimento de recursos e uma atenção permanente na promoção que muitos ainda chamam de custos. Pós isso, o destino passa a ser aceite/conhecido nas grandes arenas do turismo (Feiras Internacionais especializadas) de cruzeiros e contribuirá para que esse dê um grande salto qualitativo ou, não passará de promessa, dependendo da visão/vontade  das politicas públicas,  dos players envolvidos na actividade turística e da atitude das suas gentes.  Se o destino investir na qualidade dos serviços oferecidos, na qualidade dos seus recursos humanos, na competitividade dos seus produtos, o mesmo crescerá exponencialmente. Se ao invés, o lugar for promovido e não houver um investimento recomendado, a imagem degrada-se e morre em poucas horas. Assim sendo, esse papel cabe a todos nós, o papel de promover e receber bem os turistas, para que estes gostem, possam partir e voltarcom os seus familiares e amigos. Ora, nesse caso, chegou a hora do contrato social: recriar a terra da morabeza, a ilha que Deus derrama se ligria, desengavetar as mornas e as coladeiras, apostar na criatividade, no entretainment, no artesanato, desenterrar e oxigenar  pontos históricos da ilha (o trabalho meritório do Centro Cultural Português), a recuperação e preservação do património arquitectónico da cidade, a arborização da cidade, o planeamento urbanístico/embelezamente da mesma. Não menos importante será sem dúvida, o Marketing da cidade, a visibilidade da sua culinária, a internacionalização do seu novo produto, lançado recentemente no mercado, o festival da cavala e os demais eventos , o investimento certo nos transportes terrestres, os Hiaces e os Prados, constará das cláusulas mais importantes do contrato.

 

O Aeroporto Internacional Cesária Évora

 

No contrato social deve constar que a última lágrima de choro que o Monte Cara derramou foi com a morte da Cize. Agora resta-nos apenas as cinzas da Cize para serem libertadas e espalhas no atlântico e no nosso céu, nos céus deste mundo para que sirva de estrumo para alimentar as árvores do turismo. Mindelo nasceu com o mar e a solução passa pelo mar, mas agora tem o céu, o céu de onde a Cize partiu para cantar e encantar o globo. Então vejamos: a partir de agora podemos transformar o AICE (Aeroporto Internacional Cesária Évora) em Mindelo, num aeroporto de voos low cost. Estamos a 3.5 horas de Lisboa, a 4.5 horas e meia de Madrid, a 5 horas de Luanda, a 2.30 de Dakar, a 6 horas de Paris, a 7 horas de Amesterdão. A TACV já liga Mindelo a Lisboa, Paris, Amesterdão, a TAP já liga Mindelo ao mundo. A RAM (Air Maroc) e a TAAG já estão na capital mas se alguém lembrar de deslocar até a Praia e convidar os Marroquinos e os Angolanos a lançarem pelo menos uma frequência do Mindelo, eles naturalmente vão equacionar esta hipótese. Felizmente o convite já foi endereçado e a ideia foi bem acolhida. Haverá voos.…

Neste momento falta-nos apenas rubricar a política de céu aberto com a UE e transformar Mindelo num destino de low-cost.  Vejamos um exemplo; desde que a cidade invicta escancarou o aeroporto Sá Carneiro aos voos Low cost nunca mais resmungou da sua congénere de Lisboa e do poder central. Os nortenhos transformaram a sua baixa numa das salas de visitas para os Espanhóis, Franceses e estudantes universitários, investiram fortemente no seu vinho e na sua culinária, o Pinto da Costa transformou o estádio do Dragão num museu de luxo e conquistou o mundo com a chuva dos troféus, para a nossa desgraça, a desgraça da Nação benfiquista. A cidade  ganhou cor e vida,  a economia floriu o choro acabou. Chorar é bom mas chorar eternamente é ter medo das estradas espinhosas. Afinal as  estradas espinhosas têm solução.

Mindelo precisa que as suas Instituições comuniquem mais, as suas gentes se unam, que a voz da sociedade civil seja escutada, que os jovens sejam tidos e achados. a procura de soluções que muitas vezes estão na praticidade das questões. Que o Cluster do mar encontre o rumo certo e ganhe velocidade de cruzeiro e possa brevemente atracar no Porto Grande carregado de turistas, mercadorias e pescado. Que o bunkering seja abençoado pelo Monte Cara, seja bem implementada e traga receitas esperadas. Que a CMSV escancare as portas do seu palácio para diálogo e busca de soluções e investimentos. Que o projecto da Laginha traga luz e brilho e equilíbrio ambiental, a nova centralidade do Mindelo, a marginal do futuro, que a CI-Mindelo resgate a sua autonomia, com gente visionária e com protagonismo suficiente, capaz de definir o rumo certo da  Cabnave, um projecto estruturante e determinante para a ilha, com reflexo directo na actividade económica/aeronáutica da cidade, entre as mãos dos Chineses ou dos Turcos!! Que o conselho consultivo da ilha seja chamado, que os interesses macro prevaleçam em detrimento dos interesses micro e que os interesses futuristas sejam levados em conta. Que seja, urgemente negociada e implantada na zona da praia do Norte, a estrada mais emblemática do país um all-inclusive, onde a nossa agricultura e a nossa pecuária, depois de certificada possa conquistar o seu espaço. Finalmente, que o Presidente da CCSB mostre os seus dotes de criatividade e negociação e atraia projectos economicamente viável e geradoras de emprego para o bem-estar das pessoas da ilha do Monte Cara…

Como é sempre bom não esquecer o eixo, eis uma das fórmulas que nos parece boa: Que os players se unem, num género de um conselho consultivo da região, que haja representantes da sociedade civil e dos jovens, que haja um Cabo Verde Investimento autonomizada e que berra bem alto para que seja unida as três irmãs, e para que seja resgatada a força da irmandade. A terra do Roberto Silva precisa escoar os seus produtos agro-pecuários e o seu grogue, a terra da Cize precisa vender mornas e coladeiras ao mundo e a terra do Chiquinho precisa deixar o Chico Niquita vender milhares de latas de atum, a um preço competitivo nas ilhas e na diáspora. Em tempo de crise surgem sempre novas oportunidades. Cabe a nós definirmos o que queremos. A incerteza e o desleixo são a mãe da destruição. Num mundo de incertezas, a criatividade é a arma do sucesso. It´s time…

 

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Autoria:João Chantre,16 nov 2013 0:18

Editado porExpresso das Ilhas  em  31 dez 1969 23:00

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